Futebol e cultura
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quarta-feira, 01 de agosto de 2012
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
Futebol também é cultura. Mais do que um clichê, a frase é uma realidade para muitos jogadores de futebol e seus familiares. Gente que desbrava o mundo correndo atrás de uma bola. Além do exercício da profissão, esse pessoal acumula experiências interessantes e diferentes da cultura de cada lugar e aprende novos idiomas.
O lateral-direito Eirson Baiano passou boa parte de seus 31 anos de vida fora do Brasil. O baiano de Feira de Santana, que adotou Londrina como casa quando está no país, já rodou por Romênia, Bulgária, México, Armênia e agora mora na Malásia, onde defende o Terengganu FA. Ele conta que cresceu muito culturalmente com essas andanças todas. ''Hoje falo, além do português, espanhol, romeno, inglês e um pouco de italiano. Falo e escrevo. Somente o italiano que é muito pouco. Os outros idiomas eu domino'', contou.
Espanha, Luxemburgo, Portugal, Vietnã, México, Equador e, por último, Macau foram os lugares em que o meia londrinense Robson Arroio, de 31 anos, já morou. A exemplo de Baiano, ele também aprendeu novos idiomas: fala inglês, espanhol, vietnamita e está aprendendo o cantonês, idioma mais falado em Macau. Colonizado por portugueses, Macau foi incorporado à China. ''Na hora que eu achava que estava elogiando, na verdade, estava, xingando. Por isso, tem que aprender a língua'', contou Arroio. ''Cada país tem sua tradição, sua cultura, seus costumes e sua comida. Ganhei muito culturalmente com essas viagens e psicologicamente também'', afirmou Arroio.
Ramadã
Já Baiano está em um país muçulmano e o mês passado foi o do Ramadã. Ele e os outros jogadores ganharam férias de duas semanas. Os treinos voltaram, mas são realizados apenas após as 21 horas. Isso porque durante o mês, a população e isso inclui os jogadores malaios, só se alimentam após as 19 horas. ''Aqui, 95% das mulheres são muçulmanas e por isso andam com o lenço na cabeça'', apontou.
Dentro de campo, Baiano viu seu time terminar o Campeonato Malaio em quinto, ser eliminado na Copa da Malásia e nas oitavas de final, na Champions League da Ásia. No mês que vem, o time dele estreia na Piala Malásia, um torneio que dá vaga na Liga dos Campeões da Ásia do ano que vem.
Já Arroio foi o autor do gol que deu o título da Copa de Macau ao Monte Carlo, time mais tradicional do país e que ele defende há sete meses.
Comida
Experimentar comidas exóticas também faz parte da rotina de quem se aventura pelo mundo. No Vietnã e em Macau, Arroio viu pratos com as mais variadas criaturas. Petiscos de lesma, espetinho de escorpião, churrasco de cachorro. ''No Vietnã acabei comendo cachorro, mas sem saber'', contou.
Outro costume aprendido por Baiano foi o modo tradicional de cada local de fazer suas refeições, principalmente em datas especiais. Aprendeu passando um sufoco. ''Fui convidado para um casamento de um jogador do time. Chegando lá, os homens ficavam separados das mulheres e na hora de comer, cheio de fotógrafos, me perguntei: 'onde estão os talheres?' Tinha que comer igual a eles, com a mão mesmo, Aqui é costume comer com a mão (sem usar talheres). Eu todo sem jeito fazendo bolinho com a comida e comendo assim mesmo'', revelou, lembrando que a mão correta para usar na hora de comer é a esquerda. ''Ferrou foi tudo, porque eu comi foi com a direita mesmo''.


