O lateral-esquerdo Leandro, 21 anos. Peça fundamental no esquema de AlmeidaO futebol cooperativo praticado pelo Maringá Futebol Clube poderá torná-lo campeão do Torneio da Morte. Treze clubes estão disputando o torneio - apenas os quatro primeiros representarão suas cidades na primeira divisão do Campeonato Paranaense no próximo ano.
Sem ter conseguido apoio financeiro na comunidade, o Maringá inovou a sua administração, motivando a torcida e, principalmente, os jogadores. Sessenta por cento da renda líquida é destinada ao elenco de jogadores, que tem média de 20 anos de idade. Um terço do passe de cada jogador, no caso de venda para outro clube, é destinado aos atletas.
Ontem, o diretor de marketing, Dionísio Rodrigues Martins, iniciou uma peregrinação por empresas da região vendendo ingressos antecipados dos três próximos jogos do Maringá em casa, no Estádio Willie Davids: contra o Paranavaí, Rio Branco e Batel. Ele também está vendendo a rifa de uma motocicleta. Cada um dos 25 números custa R$ 500,00. Os salários dos jogadores (R$ 700,00 em média e todos têm carteira assinada com salário mínimo garantido) estão em dia. O clube não tem dívidas.
Aos poucos, explica Martins, este tipo de administração foi se solidificando através de conversas diárias entre a direção e os jogadores: ‘‘Eles são bastante novos e têm capacidade de entender as tentativas de melhoras que estamos fazendo’’.
Marcos NegriniLíderO médio volante Reginaldo comanda o time dentro de campo: ‘‘Ambiente bom e futebol solidário’’
Com o início do trabalho do ex-treinador de goleiros João Donizete de Almeida, 38 anos, como técnico, o clube melhorou de produção. Dos cinco jogos disputados no torneio até agora, faltando oito rodadas para seu fim, o Maringá venceu três em casa (5 x 2 no Cascavel, 3 x 1 no Nacional e 3 x 2 no Mixto), uma fora (1 x 0 no Londrina). Empatou com o Platinense em 1 x 1, em Santo Antônio da Platina.
O time é líder com 13 pontos, três na frente do Rio Branco, para quem perde no saldo de gols. O Maringá tem 7 de saldo (marcou 13 gols e sofreu 6); o Rio Branco tem 8 gols de saldo.
Para os jogadores, a melhora na produção deve-se ao entendimento entre eles, dentro e fora de campo. ‘‘O ambiente é muito gostoso, somos amigos, conversamos muito, praticamos um futebol solidário, mas sem esquecer que cada um de nós é um e tem sua própria habilidade’’, diz Reginaldo, 24 anos, responsável pela proteção aos zagueiros e pelos lançamentos aos atacantes. Ao lado de Gian, 23 anos, e Vilmar, 22, Reginaldo comanda o time em campo, com muita raça e vigor físico.
Outro jogador fundamental para o esquema do técnico Almeida é Leandro, 21 anos, lateral-esquerdo que dribla bem e ataca sempre. No ataque, Almeida conta com os dribles desconcertantes de Marquinhos Astorga, levado para o Corinthians por Eduardo Amorim, que agora sinaliza ao Maringá que quer o paranaense no Atlético Mineiro. Conta também com a juventude de Nenê e de Nedson e com a experiência de Eusébio e de Márcio. No meio-de-campo, Cléber, 32 anos, o mais velho do time, trouxe experiência dos times mexicanos do Necaxa e Acapulco, onde jogou por dois anos.
A torcida está voltando a confiar no time e vibra quando Gian, Marquinhos e Márcio tocam na bola, justamente os três que devem ir para a segunda divisão do futebol japonês no próximo ano. Os entendimentos entre um empresário japonês e o Maringá já foram iniciados.

mockup