São Paulo - Neymar cedeu a camisa 7 para Robinho na chegada. Em retribuição, Robinho garantiu que Neymar já está pronto para a seleção. Fora de campo, a sintonia entre eles no Santos é evidente. Quem já formou parcerias inesquecíveis garante: esse é o primeiro passo para uma dupla ter sucesso também com a bola nos pés.
''Eu e o Pelé nunca tivemos problemas fora de campo. Éramos amigos, até moramos juntos uma época'', lembrou Coutinho, que fez história ao lado do Rei na época de ouro do Santos, entre 1958 e 1970. ''Comigo e com o Pelé não existia ciúme, nunca me importei em fazer gols''. Entre incontáveis títulos, a dupla garantiu ao time da Vila o bi na Libertadores e no Mundial de Clubes, em 1962 e 1963.
Já Ademir da Guia, que formou no Palmeiras um parceria memorável com Dudu, na década de 70, alerta para o pouco tempo de Robinho no Santos - o craque deve voltar para a Inglaterra em agosto. ''Eu e o Dudu jogamos por 12 anos. É preciso tempo para ganhar confiança'', disse o ídolo alviverde. O segredo, garante ele, está no convívio. ''Também fora de campo éramos amigos. Vivíamos juntos e dividíamos o quarto''.
A dupla com Dudu se manteve por 12 anos (1964 a 1976) e conquistou o inesquecível bicampeonato brasileiro, em 1972 e 1973, no time que entrou para a história como a ''Academia do Futebol''. Para buscar os títulos, Ademir da Guia diz que Robinho e Neymar têm de superar vaidades. ''Às vezes, quando um ganha muito mais que o outro, isso pode atrapalhar''.
Para o ex-atacante Assis, que formou o Casal 20 com Washington na década de 1980, no Fluminense, a ausência de duplas marcantes no futebol atual se deve ao pouco tempo dos ídolos nos clubes. ''Hoje, a dupla que eu fiz com o Washington já teria sido desfeita logo no princípio. Nós dois teríamos sido vendidos na primeira temporada'', disse ele, que atuou ao lado do companheiro de 1983 a 1987.
O Casal 20, cujo apelido referia-se a um seriado de TV de sucesso na década de 1980, deu ao Fluminense o título do Campeonato Brasileiro em 1984 e conquistou o tri no Estadual (1983 a 1985).
Assis afirma que a afinidade em campo é algo que surge naturalmente, fruto de uma coincidência de estilos. ''Tanto na minha carreira como na do Washington, passaram vários bons companheiros, mas só os que deram certo foram eu e ele''.
Debilitado por uma doença degenerativa, Washington recebe hoje o apoio do ex-companheiro. ''Acabei de falar com ele, por sinal. Há meia hora, liguei para saber como ele estava'', disse Assis, ao falar à Agência Estado por telefone. ''Isso mostra como pode se consolidar a dupla. A nossa se mantém até hoje''.

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