Futebol 'caipira' encara dificuldades
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Agência Estado 
A força caipira não tem sido mais aquela. Na virada da década os times do interior de São Paulo prometiam desafiar os grandes clubes da capital e do Brasil. Em 1990, o Bragantino conseguiu seu primeiro título Paulista em uma decisão contra o Novorizontino (a primeira da história sem times da capital). Em 1993, o Guarani ficou em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, depois de um vice-campeonato brasileiro em 1987 e paulista em 1988. Isso sem falar do União São João, promovido em 1993 para a primeira divisão do futebol nacional, depois de uma ascensão meteórica, sempre com títulos a cada temporada.
Nos últimos quatro anos as coisas mudaram. Desde 1995, um time do interior não fica entre os quatro primeiros colocados do Paulistão. No Brasileiro a situação é ainda pior. O União foi rebaixado em 1995 e 1997 e não voltará no ano que vem. O Bragantino, que tenta sair da segunda divisão do Paulista há dois anos, só escapou do rebaixamento no Brasileiro de 1996 beneficiado pela virada de mesa que manteve o Fluminense na primeira divisão. Nesta temporada não escapou e disputará a Série B em 1999.
O Guarani, sexto lugar no nacional em 1995, vem de três campanhas ruins, escapando do rebaixamento nas últimas rodadas. A Ponte Preta, que subiu para a primeira divisão do Brasileiro este ano, enfrentou uma séria crise, mas, com muito esforço, conseguiu se manter na elite do futebol nacional.
As causas do problema? Segundo os presidentes do Guarani, Beto Zini, e da Ponte Preta, Sérgio Carnielli, o principal motivo é a dificuldade em conseguir dinheiro para manter a equipe. O nosso maior desafio é conseguir verba suficiente para não ter de vender o passe dos jogadores que revelamos a cada temporada, diz Carnielli. Todo o fim de ano é assim: como os campeonatos são deficitários, precisamos vender para grandes times e pagar dívidas, completa.
Para o presidente pontepretano, a manutenção dos jogadores revelados no clube seria suficiente para o clube fazer uma boa temporada. A situação particular da Macaca, segundo ele, é ainda pior que a de outros clubes, pois a Ponte acumula dívidas de gestões anteriores, que estão sendo pagas a duras penas.
Para o supervisor de futebol do Bragantino, José Carlos Alves, o Carlinhos, o clube sofreu com os problemas disciplinares de seus jogadores. O clube investiu para o Brasileiro, mas tivemos uma série de problemas extra-campo que interferiram no desempenho do time.
Segundo ele, os dirigentes constataram que trazer reforços de fora nem sempre é bom negócio. Com os maus resultados, o clube agravou seus problemas financeiros.
Se os problemas são parecidos a busca por soluções passa por caminhos diferentes. Já estamos em contato com dois bancos e uma empresa e deveremos acertar com um dos interessados até o fim do ano, diz Zini, otimista. A Ponte fez uma parceria com o banco Fibra, que administrará a área de marketing do clube. Mais tradicional, o Bragantino só contratou o meia Luís Muller para a Série A2 do Paulista.


