Futebol, cada vez mais, exige profissionalismo
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quinta-feira, 01 de novembro de 2012
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Muito se fala que o futebol deixou de ser paixão e virou um negócio. Porém, apesar do discurso bonito para uma palestra motivacional, no papel a grande maioria dos mandachuvas dos clubes brasileiros ainda não colocou isso em prática e toca o time na base da paixão, delegando poderes a gente descapacitada pela simples ligação da pessoa com o clube ou com o próprio cartola, ou mesmo para não ter um custo mais elevado com alguém que seja um verdadeiro executivo do futebol.
"Passei pelas duas fases. Fiquei 17 anos no Paraná Clube e no Pinheiros. Tinha meu trabalho e no final da tarde ia ao clube ver o que estava acontecendo. Hoje, o futebol exige dedicação integral. O futebol é dinâmico e exige decisões dinâmicas. Não dá para esperar para mais tarde", afirmou o executivo de futebol da Ponte Preta, Ocimar Bolicenho, que já presidiu o Paraná Clube, trabalhou no Santos e no Atlético Paranaense e comanda a Associação Brasileira de Executivos de Futebol (Abex Futebol).
Exemplos de amadorismo no trato do negócio futebol não faltam. Um jogador que não foi registrado da forma correta, o planejamento errado, a falta de tato para capitalizar com a marca do clube, entre outros, podem jogar um ano de trabalho fora e até mesmo causar prejuízos irreparáveis, muito maiores do que o salário de um profissional capacitado.
"Quem não se estruturar, vai acabar. É uma tendência que não tem volta. Nas Séries A e B, todos os clubes têm executivos de futebol. Agora, se estão capacitados é que é meu medo", declarou Bolicenho.
Essa capacitação a que se refere é que foi um dos fatores motivadores da criação da Abex Futebol. "Um dos nossos ideais é fazer a formação do executivo de futebol. Até porque, hoje você faz uma pós e não tem o dia a dia do futebol, que é tão importante quanto a formação", explicou o executivo, que defende uma vivência mínima de dois anos no futebol junto com a formação universitária na área esportiva. Ele mesmo tem pós-graduação em Administração Esportiva pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O que mais se vê nos clubes do interior, principalmente, é a contratação de um "faz tudo". Esse funcionário é o responsável por negociar a contratação dos jogadores, por registrá-los na federação local, por buscar patrocinador, negociar hotel, viagens e até por escolher o cardápio da semana. Muitas vezes o presidente ou dono do clube toma esta decisão por achar que está economizando, ou mesmo por não acreditar que há diferença no trabalho de quem se especializou em cada área.
"É só contratar uma pessoa que esteja começando. Ela não terá o mesmo nível salarial de quem está consolidado no mercado. Mas, no futebol, ainda tem muito o fator político. É uma questão cultural, que não se muda do dia para a noite", apontou Bolicenho. Ele ainda ressaltou que a Abex Futebol também presta essa assessoria aos clubes para identificar um profissional que se adeque ao orçamento e planejamento das equipes.
Prejuízos
Não é preciso ir longe para identificar casos de prejuízos grandes ao clube por
erros administrativos. O Cincão Esporte Clube perdeu a vaga na primeira divisão do Paraná no ano que vem porque levou para o banco de reservas, em duas partidas, um jogador que não estava com a documentação totalmente regularizada. O terceiro colocado, Junior Team, não herdou a vaga porque cometeu o mesmo erro e ela ficou com o Nacional, de Rolândia, quarto colocado.
Revirando o passado recente do futebol paranaense, é possível encontrar vários casos de perda de pontos por causa de irregularidades com jogadores. O Real Brasil foi rebaixado em 2008 por esse motivo. No ano passado quem sofreu foi o Rio Branco. Indo mais longe, em 1961, o Coritiba perdeu a vaga na final do Campeonato Paranaense por ter escalado o jogador Agapito irregularmente.
No interior do Paraná, apenas o gerente de futebol do Arapongas, Sidiclei Menezes, é filiado à Abex Futebol. O clube, aliás, é um dos que mais presa pela colocação de profissionais da área em cada departamento.


