Futebol brasileiro sente pressão do pentacampeonato mundial
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sábado, 02 de agosto de 2003
Silvio Barsetti<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A conquista do pentacampeonato, em 2002, reforçou a idéia de que o Brasil continua sendo a grande potência do futebol mundial. Isso, no entanto, não serviu como suporte para o desempenho de todas as seleções convocadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Desde o torneio na Coréia do Sul e Japão, equipes de várias categorias vêm acumulando fracassos. Há quem atribua parte disso à forte e natural pressão por causa do sucesso do time principal.
Com o desfalque de grandes craques, o Brasil não conseguiu chegar à segunda fase da Copa das Confederações, em junho, na França. Antes, ainda em 2002, no jogo de despedida de Luiz Felipe Scolari, perdera por 1 a 0 para o fraco time do Paraguai, num amistoso em Fortaleza. Numa partida em homenagem a Zagallo, conseguiu depois fechar o ano com uma vitória: 3 a 2 sobre a Coréia do Sul.
Vieram ainda empates com China e México e uma derrota para Portugal no primeiro semestre de 2003. Na Copa das Confederações, o Brasil foi derrotado pela primeira vez por uma equipe africana, Camarões; venceu os EUA e obteve um empate com a Turquia, resultado eliminou a Seleção da competição.
No rastro da seleção principal, a Sub-23 disputou um inexpressivo torneio no Catar, no início deste ano, com outras cinco equipes, já visando ao Torneio Pré-Olímpico, em janeiro de 2004. O técnico Ricardo Gomes não contava com a dupla santista Robinho e Diego, mas tinha Kaká, do São Paulo, como a grande referência. Embora a campanha não tenha sido ruim, o Brasil não trouxe o título - ficou em terceiro lugar.
Com o reforço dos jogadores do Santos, o time sub-23 voltaria à cena em julho deste ano, substituindo a equipe principal na Copa Ouro, disputada no México e Estados Unidos. Apresentou algum progresso, insuficiente, porém, para a conquista do título. Na final, perdeu para o México e deixou no ar uma indagação: o que houve com Robinho? Revelação do futebol brasileiro em 2002, ele esteve abaixo da crítica nos últimos meses.
''Em nenhuma dessas categorias, o treinador consegue levar o time que gostaria. Em nenhuma das competições, houve a preparação necessária; a validade é pôr o time para jogar e observar; fazer isso tudo e ainda ter resultado é muito complicado'', afirmou o técnico Carlos Alberto Parreira, preocupado em armar a seleção pentacampeã para o jogo de estréia nas eliminatórias do Mundial-2006, com a Colômbia, em setembro.
As seleções sub-20 e sub-17 também estiveram em ação desde a conquista histórica de Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos. A primeira disputou o Sul-Americano no Uruguai e terminou em segundo lugar. Está agora em São Domingos, a fim de lutar por uma medalha nos Jogos Pan-Americanos.
A dos garotos com até 17 anos obteve o mesmo resultado na competição continental de sua categoria. ''Acredito sim que haja um peso com relação à cobrança, pela obrigatoriedade de vencer'', disse o coordenador-técnico da seleção principal, Zagallo. ''Mas não podemos deixar de considerar um aspecto: quem garante que nossa equipe sub-17 não enfrenta gente de 19, 20 anos? Aí fica desproporcional.''


