De acordo com Otávio Gianelli, ''o futebol amador de Londrina está morto''. Gianelli, que há 40 anos organiza as competições do futebol amador adulto em Londrina, diz que hoje não há como organizar um torneio de bom nível, como antes, porque as equipes não têm mais dinheiro para disputar o campeonato e a liga também já não disponibiliza de mais recursos para ajudar os clubes. Neste ano, por exemplo, das dez equipes participantes do amador adulto em Londrina, cinco representaram outros municípios e a final foi entre dois times de fora, o Mantovani, de Cambé, e o Palmeirinhas, de Primeiro de Maio.
''Ninguém mais patrocina os times aqui porque é muito caro pagar os custos de arbitragem e registro dos atletas. Além disso, a liga já não tem mais os recursos que vinham do bingo, já que o governador mandou fechar os estabelecimentos'', explicou Gianelli. Ele afirmou que a resolução do governador Roberto Requião, que impede a abertura dos bingos, acarretou na perda de R$ 5 mil mensais, que eram repassados por um bingo de Londrina através da Lei Pelé.
O coordenador da Liga de Futebol de Londrina, Paulo César Munhoz, concorda. ''Hoje os empresários montam os times e pagam 50, 100 reais por partida para o jogador, além da cervejinha. Quando eles percebem, já têm um orçamento de mil reais por jogo. Não há mais interesses de todos em arcar com esse custo, a não ser os mais apaixonados pelo futebol. A disputa do amador não dá retorno financeiro e nem de mídia, por isso caiu o interesse'', explicou.
E, segundo Gianelli, além dos 'times pagos', foi justamente o aumento do interesse financeiro sobre essas competições é que foi prejudicando a organização dos campeonatos. ''Os empresários que têm times estão interessados também em negociar os garotos. Eles formam os rapazes para depois vender para alguma equipe.'' Segundo ele, até aí não haveria problemas, já que as categorias de base também são importantes, mas o fato acaba com a formação natural das equipes para o torneio amador. ''E além, disso, como os garotos têm passe livre até os 15 anos, muitos empresários aproveitam para negociar livremente antes que o jogador seja registrado em algum time, que fica sem nenhum retorno por ter formado o atleta'', completou.
Gianelli também afirmou que isso leva muitos empresários a burlar a lei para inscrever jogadores com registros falsificados, inclusive com a data de nascimento alterada. ''Por isso tem muito 'gato' por aí. O que mais tem no Brasil é 'gato', como o que aconteceu com o São Paulo e o Sandro Hiroshi'', lembrou. A expressão 'gato' é normalmente utilizada no futebol quando as pessoas se referem a algum jogador que teve a data de nascimento modificada quando foi feito o registro oficial na Confederação Brasileira de Futebol ou na federação de seu Estado.
E o interesse financeiro dos empresários de atletas, segundo Gianelli, não foi a única razão pela decadência do futebol amador adulto. Ele também disse que não há mais espaços para a prática da modalidade em espaços urbanos. ''Hoje só o que temos na cidade é futebol suíço, que não é reconhecido pela federação. É mais fácil encontrar campos para o amador na zona rural. Mesmo assim continuamos realizando o campeonato amador adulto todos os anos, mas da maneira que dá. Este ano, por exemplo, os clubes tiveram que pagar todos os custos de arbitragem'', disse.

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