Futebol devoção, e não obsessão
O Corinthians caiu fora da Libertadores. Pior pra Libertadores, que perdeu uma atração e melhor pro Campeonato Brasileiro que ganha, assim, um concorrente de respeito. Se é que os inconformados do clube vão dar paz ao time. O Corinthians começou a perder do River mentalmente. Ninguém tinha cabeça pra pensar noutra coisa que não fosse a taça do continente. O próprio treinador Geninho dizia que sempre tentava preparar os jogadores pra realidade de duas frentes. Não teve sucesso. Cada fim de treino, a imprensa, sem exceção, só perguntava aos jogadores pela Libertadores.
Era como se não existisse o Campeonato Brasileiro. Era como se a vida se resumisse no jogo com o River Plate.
Conclusão: quando a bola rolou, foi dando logo pra sentir que a ansiedade corintiana tinha passado da conta. E não adianta dizer, como diria mais tarde Geninho, que o time alvinegro, por ser jovem, pagou o preço da inexperiência. Ora, ninguém do Corinthians é mais garoto que o argentino D'Alessandro, que tem 22 anos, que jogava fora de seu campo, fora de sua terra e que acabaria sendo o dono absoluto da partida.
Gente, futebol é devoção, não é obsessão.
Mesmo que tenha começado com um gol de Liedson, a equipe movia-se por arrancos emocionais, por isso mesmo, quase sempre desordenados. Não mostrava consistência, não tinha harmonia. Não transpirava confiança. A bem da verdade, não é de hoje que o time vem amargando a falta de equilíbrio, virtude da qual seria símbolo o jogador Vampeta.
O Corinthians, sem Vampeta, perde regência, perde qualidade e precisão de passe, se é que não perde, também, uma certa leveza de espírito. Um certo frescor mental. Vampeta irradia bom astral. Parreira, que conviveu com ele no mesmo Corinthians, revelava, há dias, em entrevista, que o alto astral de Vampeta contagia qualquer grupo. O bom humor reduz sensivelmente o nível de pressão que estressa a equipe, seja na concentração, seja dentro de campo.
A auto-confiança do Corinthians está abalada. Precisa, com urgência, de um apoio mental. Pelo menos, enquanto o psicólogo Vampeta não vem...
O Fla vem aí...
Auto-confiança que falta: Corinthians. Auto-confiança que sobra: Flamengo. Belo trabalho vem fazendo o técnico Nelsinho Batista. Pegou uma equipe de segunda, que jogava um futebol de várzea e, num estalar de dedos, pôs ordem na casa. Athirson, que jogava como se fosse o salvador da pátria, foi devolvido a seu pedaço. Não deixou de ter liberdade, mas, agora, a liberdade dele tem limites.
Edílson vem dar autoridade técnica e psicológica que o ataque rubro-negro não tinha. A vitória de quarta-feira, em Salvador, contra o Vitória, dá ao time do Flamengo um alento de confiança que o inclui, agora sim, entre as atrações do campeonato.
Vejo o time do Vasco da Gama com o mesmo olhar positivo com que admirei a exibição rubro-negra, em Vitória. Ninguém duvide: o Vasco da Gama, vítima de sucessivos tropeços, ganhará corpo tão logo Edmundo recobre a forma física. Poucas equipes do campeonato alinham três jogadores da estirpe de Edmundo, Marcelinho e Marques. É claro que estamos falando de jogadores em perfeitas condições físicas, técnicas e mentais. O Marcelinho do jogo com o Cruzeiro não conta. Sua escalação foi uma temeridade; mais ainda, foi uma irresponsabilidade.
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