Muita gente pensou, outros tantos estudaram meios, e, finalmente, uma das maiores empresas de marketing esportivo do mundo, a IMG, encontrou o caminho para dar início a uma revolução no único país de grandes dimensões geográficas e populacional do mundo que não havia mergulhado de cabeça no futebol: a Índia.
O país foi o objetivo da IMG, que ao lado de uma potente empresa de eventos local, a Reliance, e a maior rede de TV da Ásia, a Star, criaram a Indian Super League. No espaço do campeonato nacional indiano (I-League) criou-se um torneio de dez semanas e 60 jogos, com oito equipes representando oito capitais na Índia. Equipes que não existiam. Com nomes desconhecidos e sem torcida.
Empresas de marketing esportivo dos EUA e da Europa também marcaram presença. Além do maior e mais polêmico magnata das comunicações do mundo, Rupert Murdoch (a Star pertence a ele), a Indian Super League, reuniu as maiores fortunas de um país, que apesar de ser miserável (ao se olhar as ruas e as cidades) ao mesmo tempo lança foguetes e satélites ao espaço e tem uma das mais modernas estruturas de medicina e ciências do mundo.
Cada uma das oito equipes montadas exclusivamente para essa competição teve também seus patrocinadores individuais (geralmente industriais e famílias tradicionais das cidades dos clubes), alem de estrelas do críquete (o esporte nacional) e estrelas de cinema indianas. A Hero (maior montadora de veículos sobre duas rodas domundo), detém o "Naming Rights" da competição.
Teve também Suzuki, Samsung, a Manyavar (comercio de roupas online), Amul ( laticínios), Puma, Cisco, Pepsi, NiseGel (produtos para esportistas) e Muthoot (financeira).
Planejamento feito, dinheiro em caixa e astros, contratados para chamarem a atenção. Pires, Del Piero, Anelka, Luis Garcia, Materazzi, Elano.
Zico para técnico do FC Goa.
O torneio pegou. A barreira de 1,5 milhão de torcedores durante os 60 jogos da Super League foi alcançada. Isso a coloca como o quarto torneio de maior média de público em 2014. A transmissão de TV da final sendo feita ao vivo para 80 países foi um assombro. Repito: num torneio que acabou de ser criado! As 40.000 pessoas que lutaram por cada ingresso disponível da final, no sábado passado, em Mumbai, quando o Atlético de Kolkata venceu por 1 a 0 o Kerala Blasters (dois times que não eram da cidade-sede) deixou muita gente boquiaberta. A Índia entrou no mapa da bola.
O plano, agora, é aumentar o tempo da competição. Três meses se mostrou muito curto.




No bolso - PREMIAÇÃO AINDA É DE TERCEIRO MUNDO

O torneio distribuiu prêmios, mas neste quesito eles foram bem econômicos, inferiores, inclusive, aos distribu ídos no Brasil (que são bem baixos).
OAtlético deKolkata recebeu o referente a R$ 3,6 milhões. O Kerala faturou a metade e os semifinalistas FC Goa (time de Zico e André Santos, que perdeu a semifinal nos pênaltis para o Atlético) e Chennaiyin (de Elano, que foi o artilheiro do torneio com oito gols) receberam R$ 750 mil.

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