Fuso atrapalha africanos em Curitiba
Janaína Tupan Frare
Especial para a Folha
A mudança de cinco horas no fuso horário está atrapalhando a rotina de treinamento dos atletas John Monyatso, 26 anos, e Lawrence Ntamiso, 27, da África do Sul, para a Maratona Ecológica de Curitiba, que acontecerá domingo. Acostumados a acordar às 6 horas da manhã todos os dias para treinar, anteontem esqueceram da hora e acordaram às 9h30. Às 10 horas, estavam tomando café da manhã no hotel onde estão hospedados. Preferimos descansar na semana que antecede a prova, explica Monyatso. Depois do café, voltaram para a cama.
Enquanto isso, o queniano David Kariuki Maina, 32, que diz ter vindo a Curitiba para vencer a prova, não perde tempo. Todos os dias às 7 horas da manhã já está correndo.
Diamantino O gaúcho Diamantino Silveira dos Santos, 37 anos, vencedor da Maratona Ecológica de Curitiba no ano passado, com o tempo de 2h18m54s, e da Maratona Santa Mônica, em 95, com o tempo de 2h17, desembarcou ontem à tarde no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Diamantino veio acompanhado da esposa Marizete Rezende, 24, que vai participar da prova pela primeira vez.
No caminho do aeroporto até o centro, Diamantino só se preocupou em mostrar detalhes da cidade para a esposa que nunca esteve em Curitiba. Mas Marizete estava interessada mesmo era em conhecer logo o percurso da prova. Sei que a cidade é muito bonita, mas quero logo é ver as subidas que vou ter de enfrentar, diz Marizete, referindo-se aos quase 50% de subidas que tem no percurso da prova. O casal também não quis saber de descanso: mal deixou as malas no hotel, saiu para fazer o reconhecimento do trajeto.
Diamantino diz que a maratona de Curitiba realmente assusta devido às subidas. Mas explica por que gosta de correr na capital paranaense: O asfalto é muito bom de pisar. Parece um tapete. É como correr no Japão, não tem buracos e nem desnível no trajeto.
Quanto à qualidade técnica, além dos africanos, ele se preocupa com o paranaense Reginaldo Ricofica, de Cornélio Procópio. Ricofica foi o vencedor da Maratona Ecológica em 1997, com o tempo de 2h22m11. Ele estava correndo como coelho (nome que se dá a atletas que participam de corridas para acelerar o ritmo da prova) para sua equipe, mas, para a surpresa de todos, acabou vencendo.
Não posso dizer que vou ganhar. A temperatura vai influenciar muito. O nível da prova também está cada vez mais alto. Vou participar, diz ele, justificando que, durante os treinamentos, estava mais preocupado em preparar a sua esposa para vencer a prova. Marizete, ao contrário do marido, disse que veio para ser campeã. A sua melhor marca na maratona é de 2h41m39s, 10 minutos a menos que o tempo obtido por Euseli de Assis Batista, 2h51m43s, a campeã do ano passado. Marizete se preocupa apenas com as gêmeas Alina e Lídia Karwowski, de Curitiba.
Diamantino e Marizete estão casados há um ano. Eles já se conheciam há algum tempo, mas começaram a namorar na Maratona de Nova Iorque no ano passado. Ela acabou a prova, mas Diamantino abandonou no quilômetro 35, quando viu que não teria chances de chegar entre os 10 primeiros. Ele preferiu se poupar para vencer a maratona de Curitiba, que aconteceu 15 dias depois. Em 1997, Diamantino deixou de participar da Maratona Ecológica porque estava em Nova Iorque. Ele foi o brasileiro melhor colocado. Terminou a Maratona em 19º lugar geral.
Londrinense Um londrinense viaja amanhã para Curitiba, onde no domingo disputará a Maratona Ecológica. Trata-se de Jurandir Pereira da Carmo. Ele corre com o apoio da Feirauto (Comtour), Norpave, Londrifórmula e CCAA.





