Fundação vai rever critérios para incentivo
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sábado, 13 de setembro de 2003
Claudio Yuge<br> Reportagem Local 
Em outubro a Fundação de Esportes deve começar a analisar os projetos do chamado esporte amador para a liberação de recursos da Prefeitura de Londrina para o próximo ano. E, diante de reclamações de representantes de várias modalidades, que alegam ter recebido pouca verba em 2003, e de resultados insatisfatórios, como no futsal, a diretoria técnica da fundação deve alterar os critérios de avaliação dos textos que estão sendo protocolados para o ano que vem.
O primeiro dos problemas ocorre com algumas modalidades, como a ginástica rítmica, que vem trazendo bons resultados mas recebe uma parcela considerada pequena do investimento municipal no esporte local.
''Não quero desmerecer o time de basquete da cidade. Mas acho injusto uma verba de R$ 300 mil para um time oitavo colocado e apenas R$ 50 mil para uma equipe campeã brasileira e sul-americana'', desabafou Márcia Aversani, que treina as categorias de base da ginástica rítmica da Unopar. Segundo Márcia, o projeto para a modalidade foi aprovado pela Fundação de Esportes mas o repasse não foi feito. ''Ninguém nunca aprova a quantia que a gente quer. Eles aprovaram o valor de R$ 50 mil mas não nos procuraram e não pegamos um centavo do dinheiro. Quem banca tudo é a Unopar (Universidade Norte do Paraná)'', revelou.
Mas o que mais incomodou a fundação neste ano foram os resultados obtidos no futsal. A modalidade seria, depois do futebol e do basquete, a terceira opção do torcedor londrinense, agora ocupada pelo handebol. A causa dessa falta de interesse é o fraco desempenho do time, que ficou na penúltima colocação de seu grupo na Liga Nacional e ocupa a mesma posição atualmente no Grupo B do Paranaense.
''A verba prometida na outra diretoria da fundação era de R$ 300 mil e ficamos com R$ 170 mil'', justificou o supervisor do Londrina/AABB, Luis Fernando Hasegawa, que também afirmou que a quantia não dá para levar a equipe para as primeiras colocações da Liga Nacional.
Hasegawa defendeu-se das acusações de má administração da verba para o futsal afirmando que ''na Liga, a equipe mais barata foi a de Londrina e ainda assim ficamos na frente de quatro a cinco times''. Ele também disse que, diferente de outras modalidades, as partidas de futsal são realizadas em lugares distantes em um curto período e o time sempre foi obrigado a viajar de ônibus para cortar custos, o que acarretou num desgaste para os atletas. Além disso, o futsal é a única modalidade do chamado esporte amador que tem um campeonato paranaense forte, com cinco ou seis equipes com alto investimento.
Ele também atribuiu a inexpressiva campanha londrinense na Liga devido a situaçãoes não previstas pela diretoria do Londrina/AABB, como o êxodo de jogadores para a Itália, por exemplo. Já no Paranaense, Hasegawa afirma que a saída de Ibiporã cidade que sediava os jogos da equipe em edições anteriores da competição foi prejudicial para o time. ''Havia um grupo que injetava verba considerável e tínhamos casa cheia em todos os jogos. Além disso, com a saída de atletas que foram para o exterior ficamos enfraquecidos e temos um time bom, mas que ainda é muito jovem. Veja como exemplo o Corinthians: eles não conseguiram segurar os jogadores devido às propostas dos times do exterior. E também foram obrigados a utilizar atletas das categorias de base, que não têm a mesma qualidade dos que saíram'', comparou.
Ciente desses problemas, o diretor técnico da Fundação de Esportes, Ariobaldo Frisselli, já adiantou que prevê mudanças. ''Já estamos com um novo critério de análise dos projetos, que devem priorizar as contrapartidas sociais e de patrocinadores'', explicou.
Pelo novo modelo de análise, as modalidades que em 2003 obtiveram resultados significantes e tiveram boa resposta do público devem ganhar mais atenção. Mas, acima de tudo, a fundação quer a repercussão do esporte amador em projetos sociais nas escolas e bairros da cidade, como o que aconteceu com o Projeto Futuro, que, de acordo com a Fundação de Esportes, já atendeu este ano cerca de 5.400 pessoas.
Além disso, é necessário que as equipes beneficiadas pela Lei de Incentivo ao Esporte tenham conseguido apoio também do setor privado. ''A lei é de incentivo e não de subsídio. O município está aberto para parceiros e cada modalidade tem que se movimentar para encontrar outras formas de conseguir dinheiro'', disse o diretor da fundação. Atualmente, as empresas abatem dívidas fiscais com a prefeitura remanejando a verba para leis de incentivo, como a do esporte. Mas, como lembrou Frisseli, isso não é efetivamente uma contribuição e sim apenas o cumprimento de uma obrigação com o município.
Frisselli, admitiu que os R$ 2,8 milhões destinados para o repasse pela Lei de Incentivo ao Esporte ainda é pequeno para a necessidade das modalidades esportivas no município e acena com uma alternativa para tentar redirecionar parte do valor total. ''Vamos levar uma proposta em outubro para Brasília, para ampliar o atendimento do Projeto Futuro em nível federal. Se eles liberarem R$ 500, como pedimos, esse orçamento gasto com o projeto será dividido para as outras modalidades'', prometeu o diretor técnico da fundação.
Com relação ao futsal, Frisseli adiantou que a comissão que vai avaliar o próximo projeto fará um trabalho específico. ''Uma das mudanças a partir de agora é abrir um projeto social para cada modalidade'', afirmou o diretor, já que cada modalidade tem suas peculiaridades e necessidades específicas.


