Fumaça, o novo ídolo do Tubarão
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Bem que Osvaldo de Souza Alves, 47 anos, poderia contar esta história. O administrador da Estância Ferraz, a propriedade de 24 alqueires no limite do município de Sertanópolis com Londrina que o Tubarão transformou em sua casa esporádica, foi o único torcedor que acompanhou ainda assim em um momento rápido de folga o treinamento do Tubarão ontem.
O ex-zagueiro da fazenda está ''louco para ver de novo'' um jogo do Tubarão no Estádio do Café mas se contentou em poder observar uma prosaica atividade do meio de semana, em um ambiente alto astral, digno da equipe que ganha posição no campeonato até mesmo sem jogar (ver texto sobre o julgamento do Náutico).
Há relaxamento por todos os lados. Seo Osvaldo pôde observar: alegria na roda de bobo e entre eles um tal João Luiz que só atende se alguém gritar Fumaça , era o mais feliz de todos.
E Fumaça tem motivos de sobra: voltou a sentir o sabor do sucesso que tanto lhe comoveu em Recife. Mais: já conseguiu ''ganhar'' os desconfiados seguidores da terceira maior cidade do Sul Maravilha. É enfim, um ídolo. Nato. Carismático. Um ídolo humilde, que diz para quem quiser ouvir que ''vive o melhor momento da carreira''.
Seo Osvaldo vê Fumaça entre cones e toda a parafernália de um treino moderno. Primeiro assiste a trocas rápidas de passes, o treino alemão, e depois o trabalho de cruzamento e finalização. Fumaça não se cansa e continua a ''zoar'' com os colegas.
Seo Osvaldo, que até hoje lamenta que o time da fazenda tenha acabado com a geada de 1975 (''Todo mundo foi embora para a cidade'') e que seu filho Émerson, um zagueiro profissional, esteja há um ano desempregado, esquece da vida e se diverte vendo Paraguaio saltitar entre outros cones (no trabalho específico, também estão o lateral-esquerdo Adavílson, o lateral-direito Lima e o meia Valdeir).
O ''xodó'' da torcida voltou a trabalhar com bola e nem percebe quando seo Osvaldo vai tomar alguma providencia na sede. Está preocupado em controlar a bola e a voltar a ter a esperança de ir às redes, ver a torcida se levantar nas arquibancadas. A cirurgia no joelho esquerdo, Paraguaio já esqueceu. ''Ainda não saiu dos meus planos ser o artilheiro do time''.
Para Paraguaio, o time está ''unido e confiante''. Mais um pouco e o ídolo de ontem, elogia o ídolo de hoje. ''Vai ser legal voltar num time que está bem. O Fumaça está dando conta do recado. Torço por ele. Quem sabe a gente não possa jogar juntos ?''.
O técnico Roberto Fernandes, que continua não descartando a possibilidade da chegada de reforços, não promete escalar os dois ídolos como titulares no ataque na partida contra o Botafogo (''O futebol é tão dinâmico, as coisas mudam tão rápido que é difícil pensar a médio prazo''), quando enfim Paraguaio deve estar à disposição, mas afirmou que espera ansioso a volta de Paraguaio, de Márcio Alan e das dúvidas: ''Estou doido para ter este problema'', brincou o treinador.


