Mesmo após o ano turbulento pelo qual passou o Londrina, culminando em crise administrativa e no rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro, o ex-presidente Carlos Alberto Garcia disse que não se arrepende de ter assumido o comando do clube. ''Nunca me arrependo do que eu faço. Se tivesse largado meu trabalho e tivesse me dedicado mais ao clube teria resultados melhores. Fui muito ausente'', afirmou.
Garcia foi eleito em dezembro do ano passado e assumiu em janeiro deste ano, com a promessa de um grupo de empresários de que teria suporte financeiro para trabalhar, o que não aconteceu. ''Eram mais de 60 empresários. O que foi uma decepção para mim porque disseram que iriam arrumar 200 pessoas que pagariam R$ 100 por mês. Só tem 24 pagando. Nem aqueles 60 pagaram. Esse dinheiro era para pagar as dívidas trabalhistas. Eu achei que ia pagar isso e ninguém ia cobrar nada'', contou.
Apesar de não se arrepender, o ex-atacante do Tubarão não pensa em voltar. ''Eu já fiz minha parte. Não tenho estrutura financeira nem tempo. Presidente não tem salário. Cheguei a reunir a diretoria para falar que iria largar meu emprego e ficar lá. Se tivesse feito isso estava 'morto'. Tem que ser alguém com bens, dinheiro. Não fiquei porque iria acabar com a minha vida, minha família, meus bens. Estou devendo aluguel para os jogadores em três imobiliárias. Fiz o que pude e o que não pude.''
Um dos fatos mais marcantes da Era Garcia foi o conflito com a rádio Paiquerê AM. Ele renunciou ao vivo, após um desentendimento com os radialistas em um programa da emissora. Dias depois, voltou atrás na decisão. ''Eu era presidente de uma instituição que as pessoas criticavam veementemente e eu não entendia que aquilo era verdadeiro. Colocavam suspeitas até de que o Raul (Plassmann, ex-técnico e ex-diretor-executivo) mandava em mim. Qualquer outro no meu lugar faria o que fiz. Foi ruim, perdi alguns amigos que tinha ali, mas como eu ia mandar embora o Raul se em oito jogos ganhou sete'', desabafou.
Garcia confessa que seu maior erro foi a confiança exagerada em Plassmann e no ex-supervisor e técnico Lico. ''Deleguei muito poder para os dois, entendendo que o resultado iria ser mais positivo, mas foi bom até um certo ponto. Nunca imaginei que um ex-jogador de futebol iria contratar qualquer jogador, mesmo com R$ 2 mil ou R$ 3 mil. Pegaram o foco da região deles e trouxeram. Quando chegou aqui vi que não serviam'', lamentou.
O ex-presidente acha que pecou pela inexperiência. ''Por exemplo: fomos fazer a pré-temporada no Aguativa Resort. O José Janene (deputado federal) me deu R$ 15 mil para pagar as despesas. Pedi para o Lico levar o cheque. Eu não fui lá nos dez dias e você acredita que gastaram R$ 9 mil a mais, o Lico, o Raul, os jogadores. Era champagne, vinho, mordomia. Foi um erro meu. Se estou presente não deixo fazer isso. Meu subordinado, que era de minha confiança, ficou quieto'' revelou.
Perguntado sobre como está a relação dele com os dois ex-dirigentes, Garcia desconversou. ''Nunca mais vi nenhum dos dois. A gente tem que ser profissional e separar a amizade''.
O maior ídolo do clube e um dos responsáveis pela principal conquista do Londrina a Taça de Prata em 1980 acredita que o desgaste por ter se tornado o co-responsável pelo rebaixamento não será tão grande. ''Só o tempo vai dizer, mas desgastou sim. Mas tenho moral. Estou há 30 anos na cidade'', concluiu. (T.M.)

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