Em quase dois anos comandando a Seleção Brasileira, o técnico Wanderley Luxemburgo nunca demonstrou tanto abatimento quanto após o empate com o Uruguai por 1 a 1, quarta-feira, no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa de 2002. As vaias da torcida carioca, que pediram sua saída, causaram insegurança ao treinador, que fará mudanças na equipe para o próximo jogo, contra o Paraguai, no dia 18, em Assunção.
A principal modificação será no esquema tático. A escalação passará a ter dois atacantes e não três como na partida com o Uruguai. Sávio vai perder o lugar no time e Ronaldinho Gaúcho está muito ameaçado. O único que deve ser mantido é França. ‘‘Nosso maior problema é que o ataque ficou muito distante do meio-de-campo e o esquema não deu certo’’, comentou o treinador. ‘‘Foi a pior atuação da seleção desde que assumi o cargo.’’
Luxemburgo, porém, terá problemas para escalar o ataque. Elber (leia matéria na página 1) e Romário estão machucados e Edmundo cumprirá mais um jogo de suspensão, pela expulsão contra o Peru. Nas Eliminatórias, o cartão vermelho tira o atleta de duas partidas. Além do setor ofensivo, o time sofrerá outras duas alterações. Antônio Carlos e Émerson, suspensos, darão lugar a Roque Júnior e César Sampaio, respectivamente.
Como se não bastasse a atuação ruim da equipe, o técnico brasileiro teve de suportar as vaias e ainda ouvir os torcedores o chamando de ‘‘burro’’. Abalado, ele disse estar preparado para ser vaiado até o fim das Eliminatórias. ‘‘As vaias são uma realidade que farão parte de nossa campanha’’, comentou. ‘‘Vamos ter de conviver com elas, pois ainda jogaremos várias vezes no Morumbi e no Maracanã.’’
Após a partida, Luxemburgo encontrou-se com o técnico do Uruguai, o argentino Daniel Passarella. Percebendo a decepção do brasileiro, Passarella tratou de consolar o colega. ‘‘Tenho certeza de que o Brasil e a Argentina já estão classificados para a Copa do Mundo’’, disse Passarella.
O zagueiro Aldair, de 34 anos, viveu quarta-feira um dos piores momentos de sua carreira. Ele foi o responsável direto pelo gol do Uruguai no empate por 1 a 1 contra o Brasil. Como consequência, Aldair foi bastante vaiado pelos torcedores que estavam no Maracanã. Mesmo assim, o técnico Wanderley Luxemburgo garante que não vai ‘‘preservá-lo’’ e deve lhe dar mais uma chance no próximo jogo, contra o Paraguai. ‘‘Ele errou, tem de assumir a responsabilidade; isso é uma coisa que faz parte do futebol.’’
Que pênalti? – A imprensa uruguaia destacou o empate contra o Brasil no Maracanã. Mas apontou que o gol brasileiro surgiu de um pênalti inexistente. ‘‘Nos tiraram outra vitória histórica’’, destaca o ‘‘Últimas Notícias’’, salientando que, de toda forma, o ponto obtido no Rio foi muito valioso.

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