Frustrada, Paula diz que era enfeite no Ministério
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - A passagem de Maria Paula Gonçalves a Paula, do basquete pelo Ministério dos Esportes não durou seis meses. Ontem, em São Paulo, falou sobre sua saída, antecipando uma entrevista que estava marcada para segunda-feira, para evitar ''que as fofocas dos corredores parassem nos jornais'', atribuídas a ela. ''Eu sentia que estava de enfeite'', resumiu Paula. Disse que sua função, como secretária de Esportes de Alto Rendimento, estava reduzida a tarefas diárias, que não era ouvida e no Ministério não há planejamento. Usou o termo frustração, com os olhos marejados de lágrimas (enxugou o rosto rapidamente), para definir sua passagem por Brasília, fez críticas ao ministro Agnelo Queiróz e a influência que o Comitê Olímpico Brasileiro tem sobre os atos do ministro.
Paula disse que deixou o Ministério sem saber qual era o orçamento de sua Secretaria. E sem dar a contribuição que desejava. A única contribuição que deixou foi um ''esboço de um projeto de incentivo fiscal'' que nem mostrou ao ministro. ''No início fazíamos algumas reuniões, mas depois não fizemos mais.'' Culpou o ministro Agnelo Queiróz ''por não olhar para dentro da pasta''. Afirmou que sentia ''angústia'' porque o trabalho não andava.
Paula disse que sua decisão de sair ocorreu no dia em que ligou para o COB para marcar uma reunião técnica para discutir Jogos da Juventude. ''Passamos três meses planejando os Jogos. E, no dia em que eu ligo para o COB fico sabendo que os Jogos seriam diferentes do que a Secretaria havia definido? Vi que não ia ter chance de trabalhar. Que a referência que eu tinha da Nádia (Campeão, secretária de Esportes da Prefeitura de São Paulo) não valia para o Ministério.''


