São Paulo, 05 (AE) - Ao lhe perguntarem, recentemente, sobre quem será o primeiro piloto da Ferrari na próxima temporada, o presidente da empresa, Luca Cordero di Montezemolo, respondeu: "O número 1 e o número 2 da Ferrari não serão definidos por eleição divina, mas segundo o cronômetro." Apesar de quase sempre na Fórmula 1 os dirigentes dizerem o que pretendem que seja divulgado e não a realidade dos fatos, desta vez Montezemolo parecia dizer a verdade. Michael Schumacher continuará ditando o ritmo e rumo da equipe italiana, mas Montezemolo viu, este ano, que fazer o time trabalhar exclusivamente para um único piloto constitui erro estratégico grave.
O ambiente para Rubens Barrichello na Ferrari tende a ser melhor que o vivido por Eddie Irvine durante três temporadas e meia das quatro em que defendeu a escuderia de Maranello. A convivência com o ambicioso piloto alemão é sempre difícil, pela forma como ele traz para si as atenções de todos no time, baseando-se na sua retórica e impressionante eficiência técnica. A atenuante para Rubinho é a sua não obrigação de trabalhar para Schumacher vencer as corridas e o título, condição que o contrato de Irvine lhe impunha. Depois do acidente do alemão em Silverstone, em julho, a Ferrari viu-se sozinha na competição. Irvine era um simples coadjuvante da equipe.
Como conquistar, com o norte-irlandês, o título que há 20 anos perseguia? Essa foi a pergunta que os italianos se fizeram. O descrédito no sucesso do campeonato que acabou dia 31 em Suzuka era tal que o desenvolvimento do modelo F399 foi prejudicado. As atenções de Rory Byrne e Ross Brawn, projetista e diretor-técnico da Ferrari, voltaram-se para o Mundial do ano 2000. Somente depois das vitórias na áustria e na Alemanha, colaboradas amplamente pelos erros da McLaren, é que a direção do time de Maranello voltou a acreditar na conquista, canalizando seus esforços no apoio a Irvine e, novamente, no aprimoramento do carro.
A partir do próximo campeonato, Montezemolo terá dois pilotos para, com seu trabalho individual, tentar fazer da Ferrari uma organização campeã. O dirigente compreendeu que ao dar maior liberdade ao companheiro de Schumacher, o alemão deverá produzir ainda mais. Não é tudo: ao manter o futuro piloto ativo, com perspectiva de vitória, além de estimulá-lo, a Ferrari está trabalhando também para dar sequência à obra de Schumacher no campeonato caso, por algum motivo, não possa contar com ele, como ocorreu no último Mundial. A Ferrari já adotou uma nova política para a administração de seus pilotos. Bom para Rubinho.

mockup