Freio de mão puxado
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quinta-feira, 15 de junho de 2006
Aydano André Motta<br> Agência O Globo 
Konigstein - Só faltou ouvir ao fundo o mantra eternizado por Romário: Treinar pra quê, se eu já sei o que fazer?. Na primeira vez que pisou um gramado desde a estréia na Copa, a seleção brasileira movimentou-se com o freio de mão puxado. Prossegue a preocupação em não se exigir demais dos jogadores, a maioria em fim de temporada e alguns, como Kaká e Ronaldinho, tendo enfrentado jogos decisivos até as vésperas da Copa. O medo de contusões contribui para a cautela da seleção na preparação para a partida diante da Austrália. Diante de tudo que aconteceu com Ronaldo, o entendimento é de que há problemas em quantidade suficiente.
Deu para ver pelo menos um durante o treinamento de ataque contra defesa realizado em uma metade do campo. Além de meias e atacantes, participaram os laterais Cafu e Roberto Carlos e o jogo embolado que decepcionou a torcida diante da Croácia reapareceu nos breves 15 minutos de trabalho.
Ronaldo e Adriano, lado a lado, muitas vezes apresentavam-se para receber ao mesmo tempo, tirando a opção de uma bola enfiada entre os zagueiros e encurtando o espaço dos meias. As jogadas, iniciadas por Zé Roberto, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, terminavam seguindo para as laterais e de lá perdiam-se em cruzamentos pouco inspirados. A defesa reserva da seleção não teve qualquer dificuldade em bloquear os lances, especialmente pela dupla de ataque excessivamente estática.
De sua parte, Ronaldinho Gaúcho e Kaká seguiram o ritmo modorrento do treino de ontem. O craque do Barcelona não arriscou nenhum de seus malabarismos famosos e o astro do Milan também abdicou de arrancadas mais radicais. Tudo muito soft.
Ao menos no treinamento, o técnico Carlos Alberto Parreira não deu sinais de que pretenda, pelo menos até o início da segunda partida do Brasil na Copa, fazer alterações no esquema, e muito menos na escalação. Robinho e Juninho, as alternativas mais citadas para uma eventual substituição de Ronaldo, mantiveram-se no treino de finalizações, do outro lado do campo para onde ninguém olhava.
Lazer A coisa mais radical que se viu sob o céu cinzento que cobriu o campo de Konigstein foi a série de exercícios físicos, no início do treino, enfatizando a arrancada dos jogadores, em especial os de ataque. Eles eram presos por elásticos, e tentavam correr, numa prática que busca o aumento da explosão na hora do arranque. Ronaldo participou normalmente.
No fim, o que era leve virou praticamente lazer para a maioria dos titulares, que se dividiram em dois grupos e ficaram fazendo embaixadas. Ronaldo até começou o trabalho de finalizações de cruzamentos, que começou em seguida. Mas errou a primeira tentativa e desistiu. Ficaram os outros atacantes inclusive Adriano, que exercitou chutes e cabeçadas várias por quase 20 minutos. Para terminar, cobranças de falta de Juninho, Ricardinho e até Rogério Ceni. Valeu como folga.


