Fred, o predestinado
Munique - Predestinado. Sem dúvida. Último jogador a garantir vaga na convocação inicial de Parreira para o Mundial da Alemanha, Fred entrou em campo aos 43 minutos do segundo tempo. Era a estréia dele em Copas do Mundo. E com apenas um minuto em campo, o atacante marcou o segundo gol do Brasil e garantiu a vitória por 2 a 0 sobre a Austrália, hoje, no Estádio de Munique.
Eu me considero um abençoado por Deus. Ele me abençoa em tudo, principalmente nas minhas estréias. É um momento mágico. Entrar pela primeira vez numa Copa do Mundo e ainda fazer um gol é muita euforia, vibrou o atacante, de 23 anos, que após marcar o gol parecia não acreditar no que estava acontecendo: Não sabia nem como comemorar. Você não pensa em nada. Fui abraçar os companheiros. Depois, passou um filme na cabeça, do sonho de criança que se realizou, da alegria não só minha, mas de toda a família.
Eufórico ao deixar o campo, Fred tentou levar a bola do jogo como recordação. Foi com ela até o vestiário, mas não conseguiu driblar a marcação da Fifa: Tentei pegar a bola para dar ao meu pai (Juarez), mas não permitiram. Mas o gol vai para ele e a camisa também, afirmou.
Apesar do gol, Fred sabe que ainda não chegou sua hora de ser titular da equipe. Para ele, só fazer parte do grupo da seleção no Mundial já é um prêmio. Meu pensamento é ajudar. Se for para entrar 30 segundos ou nem for para entrar, quero ajudar de alguma forma para conquistarmos o hexacampeonato, disse.
Fred não tem histórico com a camisa do Brasil. Jamais foi convocado para seleções brasileiras amadoras e ontem fez apenas seu quarto jogo pela seleção. Dos 23 convocados, é o único que não conhece a Granja Comary, pois jamais treinou lá. Mesmo assim, está mais do que enturmado ao grupo. Ele é uma das vítimas preferidas dos companheiros. Robinho é um dos que mais brincam com Fred, principalmente nas partidas de video-game na concentração.
Apesar da gozação dos companheiros, os jogadores sabem que Fred é um artilheiro. Mais do que isso. O Fred é um predestinado. Se fosse comigo, a bola bateria na trave e iria para o outro lado. Com ele, vai em cima, brincou o cabeça-de-área Gilberto Silva. (Agência O Globo)





