Luciano Pagliarini, 22 anos, o único ciclista brasileiro no circuito profissional europeu, deve atrasar algumas semanas a sua apresentação para a temporada 2001 na equipe Lampre Daikin, a mais popular da Itália.
Durante um treino de resistência, em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), o garfo de fibra de carbono da bicicleta de Pagliarini quebrou ao passar em um quebra-molas. Na queda, o atleta fraturou a clavícula.
Dois outros ciclistas londrinenses que acompanhavam Pagliarini o socorreram. Ele foi levado até o hospital local em um caminhão. Sem condições de ter um atendimento adequado na cidade, os ciclistas viajam de taxi até uma clínica especializada em Londrina.
Segundo Pagliarini, quando está em férias no Brasil ele continua pedalando pelas estradas da região. Anteontem, ele já havia passado por Cambé, Rolândia, Arapongas e Astorga, em um total de 75 quilômetros. O ciclista afirmou que irá processar o fabricante do garfo, um equipamento importado da Itália. Feito em fibra de carbono, a peça é considerada inquebrável, salvo em defeitos de fabricação. De acordo com Pagliarini, muitos outros ciclistas que sofreram acidente semelhante foram indenizados pelos fabricantes.
O acidente impedirá Pagliarini de se apresentar em Milão na segunda-feira. Ele deve ficar as próximas semanas em tratamento. Os 15 primeiros dias serão de repouso absoluto. Após este período, ele deverá voltar a pedalar levemente.
O certo, porém, é que Pagliarini ficará de fora das provas do circuito mundial da modalidade em fevereiro. Em março ele voltará a treinar com a equipe e terá condições de competir. Ele deve viajar para a Europa daqui a três semanas, levando todos o exames realizados em Londrina.
A temporada européia tem 130 provas, entre elas as da Volta da França, a mais importante competição do ciclismo mundial. ‘‘Aconteceu em um péssimo momento, mas a Lampre deu todo o apoio e ainda sou jovem e eles acreditam muito no meu futuro’’, disse.
Pagliari assinou contrato de dois anos em dezembro. Não quis revelar o valor do contrato, mas segundo ele, é o dobro do que um ciclista de ponta recebe no Brasil. O ciclista londrinense se destacou em duas temporadas na equipe Cadore, da Diletante, uma espécie de liga semiprofissional que serve como categoria escola do circuito profissional.
A Lampre tem uma fanática torcida (semalhante aos tifosi da Ferrari)e é considerada a quarta melhor em estrutura no mundo. Pagliarini lembra que a paixão dos italianos pelo ciclismo pode ser medido pelo espaço dedicado à modalidade pelos principais jornais do País, que geralmente publicam duas ou três páginas sobre o esporte diariamente.
Com a contusão e com a eleição de Bruno Caloi para a presidência da Confederação Brasileira de Ciclismo, Pagliarini terá tempo e apoio para pensar no seu futuro na Seleção Brasileira. Segundo ele, foi superada a frustração da sua não ida aos Jogos Olímpicos de Sydney, competição cujo desempenho brasileiro na modalidade foi pífio. O ciclista foi excluído da luta pela vaga brasileira porque não pôde participar das seletivas, disputadas no Brasil no período de plena temporada na Itália.

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