Frank Williams senta no banco dos réus
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
AudiênciaFrank Williams, grande chefe da Williams, chega ao tribunal Depois de comemorar a conquista do mundial, domingo em Jerez de la Frontera, Frank Williams enfrentou ontem, pela primeira vez, o tribunal de Ímola, sob a acusação de homicídio culposo pela morte de Ayrton Senna. Frank discordou da teoria do procurador Maurizio Passarini: Todos os testes e simulações que realizamos na nossa fábrica nos dão a certeza de que a coluna de direção não quebrou. O inquérito que apurou o acidente de Senna no dia 1º de maio de 94, na curva Tamburello, concluiu que uma solda mal realizada causou a quebra da coluna de direção do carro da Williams. O diretor técnico do time inglês, Patrick Head, e o projetista do modelo FW16, Adrian Newey, utilizaram-se do recurso de permanecer em silêncio.
Combinamos imagens de TV com os dados recolhidos pelo computador de bordo (telemetria), contou Frank. Checamos tudo e até simulamos condições extremas de uso, nada porém nos indicou que a coluna tivesse se rompido, afirmou. Os jornalistas, pouco mais tarde, perguntaram-lhe então o que havia acontecido com Senna: Há duas teorias que tentam explicar, uma é a da justiça italiana e outra aponta uma perda de aderência do carro, eu fico com essa. O dirigente britânico não especificou contudo o que quis dizer com perda de aderência, quais as suas causas. Seus advogados sustentam que o piloto brasileiro tentou desviar de pedaços da carenagem da Benetton de J.J. Letho, espalhados na pista em razão de um acidente na largada. O juiz Antonio Costanzo confirmou saber das modificações na coluna de direção original. Senna reclamou de falta de espaço no cockpit e a Williams rebaixou a coluna, facilitando-lhe a pilotagem. Depois do acidente, o sistema foi reprojetado.
Patrick Head e Adrian Newey utilizaram-se do recurso de depor por escrito. Apresentaram-se ao tribunal na hora determinada, mas não responderam a nenhuma pergunta de Passarini e Costanzo. A próxima audiência será dia 7 de novembro e espera-se que em dezembro o juiz Antonio Constanzo emita a sentença. Mas como os eventuais culpados podem recorrer, a definição final do caso pode arrastar-se por anos.


