Franck Caldeira muda para tentar ir à Olimpíada
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sábado, 03 de março de 2012
Amanda Romanelli <br> Agência Estado 
São Paulo - Franck Caldeira completou 29 anos mês passado. Mas a sensação é de que a carreira no atletismo, que já completa uma década, ainda não deslanchou como deveria. ''Quero dar a volta por cima'', diz o fundista, que venceu a São Silvestre de 2006 e não consegue um resultado relevante desde 2007, quando ganhou a medalha de ouro na maratona dos Jogos Pan-Americanos do Rio.
Disposto a brigar por uma vaga nos 42.195 metros dos Jogos de Londres, Franck resolveu mudar tudo em 2011: trocou Belo Horizonte por Campinas, deixou de ser atleta do Cruzeiro para defender a Orcampi e deixou de ser orientado por Alexandre Minardi para começar a trabalhar com Ricardo D'Angelo, técnico que levou Vanderlei Cordeiro de Lima ao bronze na Olimpíada de Atenas, em 2004.
O período de ''seca'' coincide com o tempo em que Franck defendeu o clube mineiro. ''Fiquei quatro anos sem resultados'', afirma. De acordo com o fundista, a opção por se dedicar a provas de rua apenas no Brasil - a maioria delas com nível técnico bastante questionável -, e em um calendário exaustivo, foi dele.
''Era uma questão contratual. O Cruzeiro gostava mais dessa coisa do marketing das provas nacionais. Eu sabia que seria assim, optei por isso e paguei um preço. Agora, tenho de correr atrás do tempo que eu perdi'', explica Francl, que deixa claro que o rompimento com o clube mineiro foi ''tranquilo''.
Após o ouro no Pan do Rio, Franck deixou as maratonas de lado. Em 2008, conseguiu sua melhor marca na distância, 2h12min32, com o 18º lugar em Paris, que lhe valeu o índice para a Olimpíada de Pequim. ''Depois disso, participei de quatro maratonas, mas só terminei duas'', lembra. Uma das que abandonou foi a dos Jogos Olímpicos de 2008, no quilômetro 25. No fim do ano passado, já em sua ''nova fase'', foi para Fukuoka, no Japão. Correu na casa das 2h20, longe do índice olímpico, que é de 2h15.
''Se eu tivesse continuado a me dedicar às maratonas, já teria condições de estar correndo na casa das 2h10. Mas só fiz marcas ruins, porque não se forma um maratonista correndo apenas no Brasil'', explica Franck. ''Agora é obrigação: tenho de fazer isso.''
Para concretizar a ''volta por cima'', Franck terá de reagir rápido. Em 15 de abril, correrá a Maratona de Milão. ''É uma prova que eu já corri e que eu conheço o percurso'', conta. E, se houver algum problema, o plano B é a Maratona de Londres, apenas uma semana depois - o prazo para a obtenção do índice olímpico termina no dia 29 de abril. ''Estou confiante e espero não ter de usar essa alternativa. Agora a estrutura e a motivação que eu tenho são outras.''


