Eles eram poucos, mas bem animados. Um pequeno grupo de franceses reuniu-se ontem, em Curitiba, para ver pela televisão o jogo entre França e Croácia, pela semifinal da Copa do Mundo. Acreditavam, com muita cautela, é verdade, numa vitória francesa frente à Croácia. Deu certo. Pela primeira vez na história do futebol, os franceses sentiram o gostinho de estar numa final de Copa do Mundo. E para o próximo domingo prometem uma festa muito maior.
Ontem, eles se reuniram na casa de um colega de trabalho, em Curitiba, que de francês não tinha nada. O contador Jorge Leverone, 35 anos, é argentino e trabalha numa empresa francesa em Curitiba. Foi dele a idéia de reunir os colegas franceses para assistir ao jogo decisivo das semifinais. ‘‘Copa do Mundo é festa e, se a Argentina não está na final, o Brasil estᒒ, disse. Leverone contou que no domingo vai torcer pelo Brasil contra a França. ‘‘Trabalho aqui e devo torcer para vocês’’, disse, diplomaticamente.
Já os franceses Fred Vanhautt, 23 anos, e Arnaud Leviez, de 27, nem queriam saber de diplomacia. ‘‘Queremos decidir e vencer o Brasil na final’’, provocavam. Porém, durante a partida, a cautela era a tônica da situação. Ninguém arriscava um palpite estrondoso. Todos temiam a força croata. No bolão que eles prepararam, havia real, dólar, peso argentino e, é claro, o franco francês. Mas os palpites sempre eram sempre bem humildes. ‘‘Não dá para arriscar muito’’, disse Arnauld.
Um dos mais nervosos torcedores franceses era o estudante Fred Vanhautt. Desde o início da partida ele garantia que chegar à final não seria nada fácil. ‘‘Mas sabemos que podemos e estamos merecendo’’ dizia. O primeiro tempo passou e veio a angústia da etapa complementar, que não começou muito bem para os franceses.
O gol croata saiu antes do primeiro minuto, mas o empate francês surgiu logo em seguida para mexer ainda mais com os ânimos daqueles torcedores.
Regados a muita cerveja, a ansiedade e o nervosismo tomavam conta daquela sala onde estavam reunidos. Ninguém tirava os olhos da telinha. Mesmo jogando melhor, a França não consguia o gol de desempate. Até que o salvador Thuram fez 2 a 1 e eles explodiram de felicidade.
Daí para o final do jogo foi mais sofrimento ainda. Mas quando o árbitro apitou o final da partida, os gritos, os abraços e o champanhe francês tomaram conta do ambiente. A cautela foi deixada de lado e a certeza de uma conquista em cima do Brasil já era um fato consumado. ‘‘Vamos vencer o Brasil e conseguir o nosso primeiro título’’, eles cantavam em coro.
O único comedido do grupo, o engenheiro Arnauld Leviez, pedia misericórdia aos brasileiros. ‘‘Vocês já têm quatro estrelas, nós nenhuma. Deixem a gente ganhar por favor’’, implorava, em tom de brincadeira.Kraw PenasEm CuritibaVanhautt e Leviez na casa de um amigo argentino: tensão totalMarcos Freitas
Especial para a Folha

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