Homossexual assumida (a segunda tenista na história a revelar publicamente suas preferências sexuais, depois de Martina Navratilova), a talentosa tenista francesa Amelie Mauresmo, assim como fez a checa naturalizada norte-americana e ex-número 1 do mundo, resolveu investir no preparo físico para melhorar os seus bons golpes e alcançar sucesso no tênis.
Aos 19 anos de idade, com uma força invejável e saques acima dos 170 km/h - velocidade acima do normal entre as mulheres - Amelie chega pela primeira vez na carreira às semifinais de um Grand Slam, depois de ter vencido, ontem, uma das cabeças-de-chave do Aberto da Austrália, a belga Dominique van Roost, por 6/3 e 7/6 (7/3).
Com este resultado, Amelie Mauresmo transformou-se na única tenista não cabeça-de-chave a ir tão lonte no torneio. Na próxima rodada, terá pela frente a atual número 1 do mundo, a norte-americana Lindsay Davenport, a quem venceu no último encontro que tiveram, no torneio de Berlim (Alemanha), em quadras de saibro.
Desde os tempos de juvenil, Amelie mostrou-se uma tenista de talento. Como júnior, conquistou os títulos de Roland Garros e Wimbledon no mesmo ano. Agora, melhorou ainda mais e logo deve colocar-se entre as dez primeiras do ranking. Atualmente ocupa a 29ª posição. Para ir tão longe, revela não ter segredos, além de treinar muito, especialmente com musculação. ‘‘Entre as tantas coisas que faço para melhorar meu jogo, dedico cerca de duas horas diárias para musculação’’, conta. ‘‘Isto ajuda a dar mais potência em meus golpes.’’ Seu físico é, realmente, um tanto másculo para quem tem 19 anos. Mas tem orgulho disso.
Esta semana, deu uma interessante entrevista em que assumiu sua homossexualidade. Disse que se mudou de Paris para Saint Tropez para poder viver mais tranquila ao lado da namorada Silvie. Para a rede EuroSport, falou inclusive que, quando mostrarem Silvie assistindo a seus jogos na arquibancada, que falem quem ela é, sem insinuações. ‘‘Tenho muito orgulho dela’’, diz Amelie. ‘‘Não tenho nada a esconder.’’
Miçangas traiçoeiras - Eliminada nas quartas-de-final por Lindsay Davenport, por 6/4 e 6/0, a norte-americana Venus Williams aprontou o maior escândalo quando perdeu um ponto, depois de suas miçangas caírem na quadra. Já era a segunda vez que isso acontecia no game. E o juiz de cadeira puniu com a perda de ponto. Para desespero de Venus, aconteceu num break point, ou seja, Davenport quebrou o serviço e abriu a vantagem de 3 a 0 no segundo set.
Venus ficou irada. Chamou o supervisor e pediu inclusive a substituição do juiz de cadeira. Mas, sem qualquer razão, não foi atendida e, ao final do jogo, deixou a quadra sem cumprimentar o juiz.
Lapentti surpreende - Num torneio de tantas surpresas, como este Aberto da Austrália, a melhor delas parece ser a de Nicolas Lapentti. Com um tênis de invejável técnica, toque incrível, passou para as semifinais depois de surpreender mais um favorito, o eslovaco Karol Kucera, num jogo emocionante com 3h18 de duração, e parciais de 7/6 (7/4), 6/7 (8/6), 6/2, 0/6 e 8/6. Na próxima rodada, o tenista equatoriano terá pela frente mais um sueco, Thomas Enqvist, que derrotou o suíço Mark Rosset por 6/3, 6/4 e 6/4.
Com a eliminação de Kucera, restaram agora apenas dois cabeças-de-chave na competição: Yevgeny Kafelnikov e Todd Martin, que jogam hoje pelas quartas-de-final, enquanto o último semifinalista sairá da partida entre o alemão Tommy Haas e o norte-americano Vince Spadea.France PresseTalento natoAmelie ontem contra a belga Roost: francesa vai às semifinaisAgência Estado

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