França une euforia do futebol a festejos pela Queda da Bastilha
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terça-feira, 14 de julho de 1998
Das agências 
A festa francesa pelo título de campeã mundial de futebol misturou-se ontem às comemorações do Dia Nacional da França, o 14 de julho. A população de Paris voltou a invadir a avenida Champs-Elysées para prestigiar a parada militar lembrando a Queda da Bastilha (prisão tomada pelo povo parisiense em 1789 e marco inicial da Revolução Francesa). O orgulho nacional francês foi mais uma vez exaltado pelo presidente Jacques Chirac, ao receber e cumprimentar os jogadores e comissão técnica da Seleção Francesa.
Os azuis - como são chamados os jogadores - foram responsáveis durante dois dias por uma explosão de alegria sem precedentes na história do esporte francês, desde a libertação de Paris do jugo nazista em 1945, que levou quase um milhão de pessoas à Champs-Elysées.
Ontem, os jardins do Palácio do Eliseu, cenário da tradicional recepção ao presidente no Dia Nacional da França, se transformaram em palco de uma grande festa e uma entusiasmada homenagem à seleção que ganhou a Copa do Mundo. Depois de uma longa entrevista, em cadeia de televisão, o presidente Chirac quebrou o protocolo, tomando o microfone para cumprimentar os jogadores, efusivamente saudados quando apareceram.
France Presse14 de julhoParada militar na Champs-ElysSes comemora a Queda da Bastilha: presidente exalta orgulho francêsDiante de seis mil convidados e ao som da canção We Are the Champions, Jacques Chirac anunciou que, além do técnico Aimé Jacquet, toda a seleção receberá a Legião de Honra, a maior condecoração do país. A Seleção Francesa está orgulhosa de ter conquistado a Copa do Mundo, disse Jacquet. Toda a França é campeã do mundo, completou o capitão da equipe, Didier Deschamps.
Antes, na entrevista anual de 14 de julho, Jacques Chirac disse que, no fundo, esta vitória é um símbolo da solidariedade e da coesão. Segundo ele, demonstra que a França tem uma alma, ou mais exatamente, que a França anda em busca de uma alma. E espero que nos dias que se seguirão à festa se conserve a forte marca deste sentimento nacional.
Chirac também lembrou que foi o triunfo de uma equipe tricolor e multicor, que dá uma boa imagem da França e de seus valores, em referência à variedade de etnias e nacionalidades presentes na seleção francesa. Este sentimento de unidade, de acordo com o jornal Liberation, é um um sonho francês, pois a conquista do campeonato mundial deu ao país uma comunhão nacional sem precedentes desde os primeiros dias da Liberação, em 1945.
Comentaristas da imprensa francesa destacaram que a vitória desta equipe multirracional contra o Brasil, trouxe a todo o país uma nova visão de si mesmo e um sentimento de unidade suscetível de afastar os desígnios de uma extrema direita racista e xenófoba, representada pela Frente Nacional, o partido de Jean-Marie le Pen.
Mas nem tudo são flores na relação entre seleção e imprensa. A guerra entre o principal jornal esportivo francês e o técnico da seleção da França, Aimé Jacquet que está deixando o cargo, não terminou. O LEquipe censurou ontem o técnico Aimé Jacquet em editorial por não aceitar as desculpas do jornal, que questionou sua capacidade antes do Mundial.
O editorial foi escrito por Jerome Bureau. Antes da Copa, ele posicionou-se contra Jacquet e criticou seus métodos de preparação para a final contra o Brasil quando a França venceu por 3 a 0. Sim. Nós o criticamos severamente nos meses anteriores à Copa do Mundo, escreveu Bureau. Como técnico, não como homem. Mas acrescenta: Nada, senhor Jacquet, justifica que você nos tenha chamado, a mim e a todos os jornalistas, de grossos e pessoas desonestas. Não é justa a violência extrema de seus termos. Para Bureau, é triste que o treinador prefira o ódio ao perdão.
O novo técnico da seleção será anunciado até sexta-feira, segundo informou ontem o presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Claude Simonet. De acordo com ele, Jacquet poderia ter ficado no comando da equipe se quisesse, mas o treinador já havia antecipado que deixaria o cargo independentemente da conquista do título. Simonet disse que a França não pode perder tempo, já que em setembro tem início as eliminatórias para a Euro-2000, contra a Islândia.


