Paris - O temor de um atentado durante a Eurocopa, que a partir de sexta-feira levará milhões de torcedores aos estádios franceses, mantém em vigília os serviços de segurança.
As forças policiais e o serviço secreto estão mais mobilizados do que nunca, meses depois dos atentados de extremistas que deixaram 130 mortos em 13 de novembro, em Paris.
"Todo mundo está mobilizado, a polícia, guarda civil, militares. O único problema é a ameaça. E sobre esse tema, sinceramente, estou preocupado", disse um encarregado da luta antiterrorista, sob a condição de ter sua identidade preservada.
"O que mais tememos são as pessoas que já estão aqui, na Europa. Pessoas, por exemplo, que estão na Alemanha, que não vimos passar, que os alemães não localizaram e que desde então aguardam pacientemente. Restabelecemos algumas fronteiras, mas não há como saber, as fronteiras são incontroláveis", afirmou.
Em 13 de maio, a milhares de quilômetros da França, homens armados atacaram um café na cidade iraquiana de Balad, um ponto de encontro dos torcedores do Real Madrid. "É uma mensagem direta. Talvez tenha sido para nos assustar, e conseguiram", comentou.
Existe um consenso de que a França seja um alvo, inclusive agora é o alvo número um do grupo Estado Islâmico. "Sabemos que o EI planeja novos ataques, e França está na mira", declarou reticente o diretor-geral de Segurança Interior, Patrick Calvar.
Na segunda-feira, o serviço secreto ucraniano informou sobre a prisão, em maio, de um francês que preparava 15 atentados na França durante a Eurocopa.
Mas os ataques de Paris em novembro, onde os atiradores abriram fogo indiscriminadamente contra civis que estavam em bares e restaurantes, mostraram que este tipo de ataque tem um impacto de terror idêntico, ou até superior. Se atacarem um bar cheio de gente, estarão golpeando simbolicamente a Eurocopa. "Não há nada mais fácil do que organizar um atentado. Sair em um veículo e disparar contra a multidão, é algo que muita gente pode fazer", alertou o diretor do instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), Pascal Boniface.

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