França elimina Paraguai no sufoco
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de junho de 1998
Agência Folha 
France PresseFair playO zagueiro
francês Blanc,
autor do
primeiro gol
na história
da morte
súbita em
copas do
mundo, consola
o goleiro e
capitão
paraguaio
Chilavert,
que foi
considerado
o melhor
jogador em
campoA França levou 113 minutos para marcar um gol. Foi o primeiro gol da história das copas pelo novo sistema de morte súbita. Morte súbita para os paraguaios, que cumpriram a promessa de vender caro a derrota e seguraram o 0 a 0 até o fim do tempo regulamentar. Só aos 8min do segundo tempo da prorrogação é que Pires cruzou do bico direito da grande área e Trezeguet ajeitou de cabeça para o zagueiro Blanc, a um passo da pequena área, superar finalmente a estrela do jogo, o goleiro Chilavert.
Se, antes da partida, os franceses achavam o Paraguai um enigma, durante o jogo encontraram exatamente o mesmo tipo de armação que o time dirigido pelo brasileiro Paulo César Carpeggiani mostrara nas três partidas anteriores.
Ou seja, um bloco defensivo extremamente sólido e competente. A única surpresa veio das deficiências da França: sem Zidane e com Djorkaeff, seu substituto teórico, muito adiantado, o time francês deixou um buraco entre o meio-de-campo e o ataque.
Resultado: cada vez que a defesa paraguaia cortava um ataque francês, a bola rebatida encontrava um atacante do Paraguai (Benítez ou Cardoso) em vez de um jogador da França. Com isso, o Paraguai podia organizar contra-ataques ou, no mínimo, reter a bola na frente o suficiente para irritar os franceses. Que o objetivo paraguaio era levar o jogo para a prorrogação ficou definitivamente claro já aos 18min do primeiro tempo, quando Chilavert tomou cartão amarelo por atrasar a reposição da bola em jogo.
O capitão francês Didier Deschamps admitiu que a sua equipe deixara um bocado de energias em campo na batalha com o Paraguai. Motivo, segundo o próprio Deschamps: Muito espaço entre as linhas. Mesmo assim, o domínio francês foi amplo. Com Djorkaeff muito enfiado entre os atacantes, a tarefa de armar o jogo coube mais a Deschamps e Petit (substituído aos 24min do segundo tempo por Boghossian), que são meio-campistas defensivos. Tanto é assim, que Petit saiu de campo carbonizado (pelo esforço), na descrição feita por Deschamps.
Pior para a França: seu artilheiro na Copa, Thierry Henry, deixou o campo com entorse no tornozelo. Foi substituído aos 20 minutos do segundo tempo, depois de ter perdido a melhor chance francesa na primeira etapa, ao chutar na trave. Melhor no tornozelo que no joelho, conformou-se o técnico Jacquet, já pensando na partida contra a Itália, na sexta-feira, pelas quartas-de-final.
FRANÇA 1
Barthez; Lizarazu; Blanc; Desailly; Thuram; Petit (Boghossian); Deschamps; Diomede (Guivarch); Djorkaeff; Thierry Henry; Pires; Trezeguet. Técnico: Aymé Jacquet.


