França é última Copa para 4 brasileiros
Este é o último Mundial de Bebeto, Dunga, Taffarel e Aldair; Romário também estaria no grupo, mas foi cortado antes
Agência Estado
France PressePlanos do ‘capitão’O volante Dunga, 34 anos, não se entusiasma com uma possível carreira de treinador e preocupa-se com a adaptação dos filhos ao Brasil A Copa do Mundo na França vai ser a terceira e a última para quatro titulares de Zagallo: o goleiro Taffarel, o zagueiro Aldair, o meia Dunga e o atacante Bebeto. Remanescentes da Seleção que fracassou na Copa de 90, na Itália, e da que se consagrou no Mundial de 94, nos Estados Unidos, o quarteto começa a pensar na vida após o futebol.
Aldair, há sete temporadas no futebol italiano como titular da defesa do Roma, não sabe sequer onde vai morar. Pode ser no Rio de Janeiro, onde foi revelado pelo Flamengo; em Ilhéus, onde nasceu e foi criado ou em Vitória, terra da família de sua mulher. ‘‘Pode ser em qualquer um desses lugares, porque gosto de todos’’, afirma o campeão do mundo.
Aos 32 anos de idade, Aldair só não parou para pensar no que fazer. Tem imóveis para administrar, mas prefere uma atividade que o deixe mais próximo do futebol. ‘‘Ainda tenho alguns anos de profissão e não parei muito para pensar nisso’’, garante. Com uma carreira consolidada no exterior, o jogador tem contrato com o Roma até o ano 2000 e não pensa, a princípio, em deixar a Europa. ‘‘Só vou decidir sobre isso na metade do próximo ano.’’ Se depender do desejo de sua família, volta.
O goleiro Taffarel, 32 anos, é outro que prefere não projetar o futuro. ‘‘Montei duas escolinhas em Porto Alegre e ainda não decidi bem o que fazer quando parar com o futebol’’, afirma. Taffarel disputou 105 jogos pela Seleção e foi convocado 120 vezes.
O capitão Dunga, 34 anos, sempre quis ser veterinário, cuidar de animais, mas o destino levou-o ao futebol. ‘‘O meu pai queria que eu fosse jogador, mas nunca abandonasse os estudos.’’ Líder da Seleção Brasileira e considerado um homem de personalidade forte, pode assumir cargos administrativos em clubes ou mesmo seguir a carreira de treinador, embora garanta que isso não o entusiasma.
Para Dunga, mais difícil será adaptar os dois filhos, Bruno, de 9 anos, e Gabriela, de 12, à vida no Brasil. Os garotos cresceram acompanhando o pai em sua temporada no exterior. Dunga começou na Itália, passou pela Alemanha e agora está no Japão. Os seus filhos precisam estar em contato permanente com programas da TV brasileira para não perderem o hábito de falar português.
Bebeto, de 34 anos, completou o segundo grau e pensa em fazer um curso de administração, para cuidar dos seus imóveis, espalhados pelo Rio e pela Bahia.
O atacante Romário, que deixou o grupo recentemente, cortado por contusão, pensa em retomar seu curso de educação física, trancado ainda no primeiro semestre, por ‘‘falta de tempo’’.
RomárioA informação de que Romário voltará a atuar pelo Flamengo no dia 17, para poder provar que poderia disputar o segundo jogo da Copa do Mundo, no dia 16, e não merecia ser cortado da Seleção, não surpreendeu nem abalou a comissão técnica. Segundo o treinador Zagallo, Romário foi tratado como ‘‘um jogador especial’’ na França. ‘‘Ele teve todas as chances possíveis de recuperar-se antes de ser desligado da delegação’’, afirmou.
‘‘O corte dele foi clínico’’, acrescentou Zagallo, passando a responsabilidade para os médicos. ‘‘A partir do momento em que ele voltou a sentir a contusão e os médicos disseram que ele estava fora da estréia e sua presença no segundo jogo era duvidosa, só nos restou uma opção: o corte.’’
O coordenador-técnico Zico não quer ficar com a pecha de ser o principal responsável pelo corte do atacante: ‘‘O departamento médico informou que Romário poderia sentir a contusão novamente quando fizesse qualquer movimento mais brusco’’. Ele ressaltou que ‘‘a decisão de cortá-lo foi tomada em conjunto pela comissão técnica’’

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