Marcelo AlmeidaAmeaçaJoão Havelange disse na quarta-feira que se a Lei Pelé for aprovada a seleção do Brasil fica fora da Copa do MundoO jornal francês especializado em esportes ‘‘L’Équipe’’ chamou ontem João Havelange de ‘‘defensor de estruturas arcaicas’’. A crítica ao presidente da Fifa foi motivada por suas declarações ameaçando impedir o Brasil de participar da Copa da França. Havelange fez a ameaça na véspera, numa retaliação ao anteprojeto de lei proposto pelo ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que reformula as estruturas do futebol brasileiro.
O diário francês elogiou a iniciativa, destacando alguns pontos, como a limitação do poder da CBF e a formação de uma liga independente de árbitros. O projeto foi classificado como ‘‘moderno’’. Os dirigentes do futebol francês e organizadores da próxima Copa estão convencidos de que se trata de uma reação emocional do presidente da Fifa, na sua antiga disputa com Pelé.
Os cartolas do futebol francês, mesmo procurando manter discrição, consideram inteiramente ‘‘fora de propósito’’ as ameaças, lembrando que o presidente da Fifa é uma autoridade respeitada, mas não é o proprietário da Copa do Mundo. O Mundial, sem a presença do Brasil, atual campeão, estaria fortemente esvaziado e fadado ao insucesso, um risco que os organizadores não querem correr. Segundo o assessor de imprensa do Comitê de Organização da Copa, Christofer Kukawka, não há ainda nenhuma reação oficial do Comitê que está acompanhando os acontecimentos. Entre os dirigentes franceses, o presidente da Fifa é criticado por ter politizado o debate formulando críticas ao Parlamento a Presidência da República com o objetivo de influenciar uma decisão.
A maior parte das propostas feitas por Pelé para modernizar e moralizar o futebol brasileiro foram inspiradas por medidas adotadas na Europa, onde a lei do passe já não existe e os jogadores profissionais têm ampla liberdade de mudar de clube no final de seus contratos. Os clubes mantêm a garantia da claúsula liberatória, podendo ser indenizados se a transferência ocorre durante a vigência do contrato.
Na Europa, a responsabilidade civil e criminal da administração do clube sempre existiu e as irregularidades têm sido apuradas pela Justiça comum. O caso mais recente é o do Olympique de Marselha, que sagrou-se campeão da Europa através de iniciativas pouco transparentes, que a Fifa jamais buscou apurar a fundo - suborno de jogadores e árbitros -, mas que a Justiça comum conseguiu provar através de uma minuciosa auditoria nas contas do clube. A transformação dos clubes em empresa é uma outra tendência que se constata atualmente no futebol europeu.

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