Curitiba - A crise se instalou de vez no Atlético Paranaense. A frustrada expectativa de recuperação na estréia da Copa Sul-Americana – que terminou na derrota para o Vasco, por 4 a 2, em plena Arena – esgotou a paciência da torcida, que só não partiu para a agressão devido ao trabalho dos seguranças do clube e da Polícia Militar. Derrotado mais uma vez em seu estádio, o Furacão tem poucas chances de seguir na competição internacional, e agora concentra esforços para fugir do rebaixamento no Brasileiro, a partir de amanhã, contra o Figueirense.
  O pequeno público presente na partida contra os cariocas – apenas 5 mil torcedores compraram ingressos – já deu mostras da desgastada relação entre clube e torcida. Apesar disso, graças ao apoio vindo das arquibancadas, os atleticanos fizeram um bom início de jogo, pressionando os vascaínos e obrigando Silvio Luiz a fazer defesas difíceis. E foi numa falha do goleiro, após chute fraco de Dinei, que o Rubro-Negro abriu o marcador.
  O enredo seguia à risca as pretensões da diretoria – especialmente de Mário Celso Petraglia – de projetar internacionalmente a marca do ‘‘Paranaense’’, como os dirigentes preferem chamar o clube. Planos que foram frustrados ainda no primeiro tempo, quando a defesa dos donos da casa cometeu os rotineiros erros de posicionamento e permitiu a virada.
  A partir daí, Petraglia e o técnico Antônio Lopes passaram a ser alvo de insultos da inflamada torcida, ampliados a medida que os vascaínos, que se deram ao luxo de jogar sem seis titulares, ampliavam o marcador, abrindo vantagem de 4 a 1. Nem mesmo o gol de Alan Bahia, que retornava aos gramados após acidente automobilístico, e a boa estréia de Ramon serviram para acalmar os ânimos do público, que pediu a cabeça do presidente e do treinador.
  Lopes agora tenta juntar os cacos e recuperar o ânimo dos atletas, para o jogo de amanhã, novamente na Arena. Apesar de negar, o delegado – que não conta com Valencia, Claiton e Ferreira – depende de uma vitória para seguir no comando. ‘‘As especulações sobre a minha saída não têm fundamento. Não existe nada disso’’, afirma, reconhecendo também que as críticas são justas. ‘‘É normal a cobrança porque o torcedor quer sempre vencer. A equipe perdeu e eles têm que reclamar mesmo’’. Mas, ressaltando que a equipe tem se esforçando bastante, o treinador espera repetir o bom resultado do primeiro turno, quando o Rubro-Negro venceu por 6 a 3, em Santa Catarina.

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