Dunga e Jorginho experimentaram a sensação de mexer com o dois lados do humor dos brasileiros e sabem bem a diferença de um Escrete vencedor de um perdedor. ‘‘Falar de 1990 me incomoda. Foi um grupo que teve liberdades demais. Faltou habilidade da comissão técnica para contornar estes problemas. Havia empresários e familiares o tempo todo na concentração. Isto atrapalhou o ambiente’’, disparou Jorginho. ‘‘Em 1994, nada disso ocorreu. Sabíamos que era nosso último Mundial e procuramos mentalizar somente a vitória’’, lembra o lateral-direito, que ainda procura um clube para prosseguir sua carreira.
Dunga, atual manager do Jubilo Iwata (clube no qual jogou por três anos), experimentou com intensidade os dois lados da moeda. ‘‘Dizem que nos rebelamos na Itália por causa do valor da premiação. Na verdade, o problema foi que combinaram uma coisa e depois disseram que iam fazer outra. Faltou organização’’, revelou.
Zetti, que só participou do Mundial dos Estados Unidos, lembra que o grupo de Parreira teve uma chance que os comandados de Felipão não tiveram. ‘‘Em 1993, nas Eliminatórias, ficamos dois meses juntos e enfrentamos muita pressão. Nos unimos e já chegamos na Copa com o grupo praticamente definido’’.
‘‘Não há receita para vencer em uma Copa do Mundo. Em 1994 o ponto forte foi que houve uma adaptação das individualidades em prol do grupo. Mas isto não é o suficiente. Tem que ser o melhor dentro de campo. E o melhor é quem vence. Sempre. Mesmo naquele jogo contra a Argentina, quando criamos muitas oportunidades e eles quase nada, fizeram um gol e venceram. Foram melhores ’’, diz Dunga, com pragmatismo. (L.F.M.)

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