Arquivo FolhaDevendo muitoDois meses após receber João Havelange na festa dos 60 anos, a FPF de Onaireves está complicadaA Federação Paranaense de Futebol (FPF) tem uma dívida de R$ 270.904,24 em títulos protestados junto aos quatro cartórios da cidade de Curitiba. A entidade tem também até amanhã para apresentar junto ao INSS uma proposta de renegociação de sua dívida dos dois últimos anos. A FPF recolheu dos clubes a parte que deveria ser transferida para o INSS, mas não fez o repasse.
A Federação foi notificada em setembro que deveria apresentar uma solução para a dívida junto ao INSS. A entidade desconta de cada jogo de futebol 5% que deveriam ser repassados ao órgão federal de previdência social. Mas esse percentual não foi pago ao INSS nos dois últimos anos. A chefe de divisão de fiscalização de arrecadação do órgão, Maria Mercedes Basuma, disse que não poderia adiantar o valor da dívida por se tratar de sigilo fiscal. Se a FPF não encaminhar nenhuma proposta de pagamento, terá que responder a processo no Ministério Público.
A Federação está ainda com a água e o telefone cortados por falta de pagamento e o estádio Pinheirão interditado por falta de garantias de segurança. O presidente da FPF, Onaireves Moura, não quer falar sobre o assunto. A reportagem daFolha tentou ontem entrevistar o presidente, mas ele não retornou as ligações.
‘‘Ele tem dado expediente pela manhã. O Moura não quer falar disso porque está tentando acertar essas pendências. Cerca de 60% do valor que foi anunciado aí já está sendo pago’’, disse Elizeu Seibert, diretor administrativo da Federação. Os salários dos funcionários também estão atrasados.
Entre as dívidas, aFolha constatou que uma delas foi paga. A da empresa Estocolmo Veículos, de R$ 18.269,00, referente à parcela de compra e conserto de um carro Volvo. O veículo comprado em nome da Federação, já foi vendido para outra pessoa. Mas a FPF não foi buscar o documento de baixa da pendência protestada.
Já a dívida de R$ 21,5 mil para com a empresa Rentalcenter Comércio e Locação de Bens Móveis Ltda continuava sem pagamento. ‘‘Tivemos que retirar os nossos equipamentos de construção civil do estádio por falta de pagamento. Tentamos um acordo amigável, mas eles não fizeram nenhuma contraproposta’’, disse um funcionário do setor financeiro da Rentalcenter.
Na última sexta-feira a empresa Xerox do Brasil, que também aguarda o pagamento judicial de uma dívida de R$ 6.765,78, tirou as máquinas fotocopiadoras da sede da entidade em Curitiba.
Há dois meses, a Moura organizou a megafesta de 60 anos da Federação, no Clube Curitibano. Reuniu em torno dos presidentes da Fifa, João Havelange, e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, cerca de mil pessoas. Distribuiu medalhas de ouro e contratou os melhores bufês. Continuou sem apoio e ainda mais sem dinheiro.

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