O árbitro Felipe Gomes da Silva, aspirante à Fifa, que apitou a decisão do primeiro turno do Campeonato Paranaense entre Londrina e Coritiba, vai para a "geladeira". Muito questionado por não ter marcado três pênaltis em favor do Londrina, na visão do clube, o apitador vai ficar de fora de algumas das próximas escalas – não foram reveladas quantas -, de acordo com a Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol (FPF), mas não por estes supostos erros. Ele será punido e passará por uma reciclagem por outros equívocos apurados na partida, principalmente um lance que prejudicou o Coritiba: um suposto pênalti sofrido por Arthur, já no final do jogo, e que ele não marcou.
Na avaliação da comissão, nos três lances polêmicos reclamados pelo Londrina, o árbitro tomou a decisão correta. Em nota, a comissão julga que houve erros disciplinares e o erro técnico da não marcação da penalidade sobre o jogador coxa-branca.
A decisão foi anunciada ontem, em entrevista coletiva conturbada do chefe do apito no Estado desde 2006, Afonso Vítor de Oliveira, na sede da FPF, em Curitiba. Com a irritação habitual de quando é questionado, o presidente da Comissão fugiu das perguntas dos jornalistas, as respondendo com indagações técnicas sobre a arbitragem e sobre números da classe no Paraná.
De acordo com o dirigente, a comissão, que é formada ainda por Gerson Baluta, Anderson Carlos Gonçalves e José Carlos Dias Passos, foi unânime na decisão. Tanto que a opinião do observador de arbitragem do jogo, o ex-auxiliar Gilson Bento Coutinho, foi ignorada. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, no início da semana, ele afirmou que o Londrina era dono da razão em suas três reclamações. Oliveira afirmou que não teria recebido o relatório ainda. "Vi pela imprensa que ele teria dito que houve três pênaltis. É a opinião dele e não da comissão", declarou o presidente, que teria consultado ex-árbitros de outros estados antes de tomar a decisão.
O Londrina pedia a exclusão de Felipe Gomes da Silva do quadro paranaense, o que foi descartado por Oliveira. "A punição é o afastamento das escalas das próximas rodadas. De forma alguma ele será dispensado", descartou o ex-árbitro. Questionado sobre o nível da arbitragem no Paraná, Oliveira elogiou. "É de boa para ótima".
O Paraná perdeu em 2013 seus três representantes no quadro da Fifa. O auxiliar Roberto Braatz se aposentou, Evandro Rogério Roman parou de apitar para se dedicar à Secretaria de Esportes do Paraná e Héber Roberto Lopes optou por mudar-se para o quadro catarinense.
Enquanto isso, o carioca Felipe Gomes da Silva, que é aspirante à Fifa, foi incluído no quadro paranaense após mudar-se para Foz do Iguaçu.
Denúncia
Os erros de arbitragem são cada vez mais assuntos das rodadas. Muita gente já reclamou neste Paranaense. Tanto que o Paraná Clube denunciou ao Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) a presença do ex-árbitro Marcos Tadeu Mafra, envolvido no "Caso Bruxo" – esquema de corrupção da arbitragem paranaense descoberto em 2005 –, no Ecoestádio Janguito Malucelli na partida entre J. Malucelli x Paraná, válida pela oitava rodada. Ele teria, inclusive, circulado pelo vestiário dos árbitros.
A direção paranista também reclama de três pênaltis não marcados em seu favor naquela partida pelo árbitro Adriano Milczvski. A reclamação foi levada à direção da FPF. Como nenhuma atitude foi tomada pela entidade, os dirigentes paranistas decidiram tornar público o fato. O jogo terminou empatado em 2 a 2 e o Paraná ficou fora da briga pelo título do turno.
O duelo do LEC contra o Toledo, domingo, na abertura do returno, será apitado por Selmo Pedro dos Anjos Neto.

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