FPF investiga suposta corrupção na arbitragem
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de agosto de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A Federação Paranaense de Futebol (FPF) começou ontem a investigar a denúncia de corrupção na arbitragem do futebol estadual feita por um dirigente do Operário, de Ponta Grossa. O suposto esquema de compra de árbitros foi levantado pelo programa ''Histórias do Esporte'', do canal pago ESPN Brasil, na noite de domingo. O especial ''Paraná de Prata e de Lama'', trouxe à tona a possível compra de resultados na Série Prata do Campeonato Paranaense.
Sem saber que estava sendo filmado, o presidente do Conselho Deliberativo e tesoureiro do Operário Ferroviário, Sílvio Gubert, disse que pagou uma espécie de bônus para que o clube ganhasse seus jogos em casa. Ele afirmou ao programa que havia sido procurado por pessoas em nome da FPF que o teriam alertado sobre a ''caixinha da arbitragem'' e que sem ela, dificilmente o Operário conseguiria bons resultados na Segundona. ''Se eu não der dois paus (R$ 2 mil) na mão, ele (o árbitro) faz o jogo do outro (time). Isso na primeira fase, na segunda é mais'', revelou Gubert. ''Ele (o árbitro) pergunta de quanto a gente quer ganhar''.
O Operário é dono da melhor campanha da Série Prata, com 31 pontos, sendo que 19 deles foram conquistados em casa. Jogando no Estádio Germano Kruger, onde supostamente era beneficiado, o Operário venceu seis partidas e empatou apenas uma, contra o São José, justamente no dia em que a denúncia foi gravada. O clube teria gasto, desta forma, nos sete jogos em Ponta Grossa, R$ 14 mil além da taxa normal de arbitragem R$ 1.200 por partida , para ''fabricar'' os resultados nestes jogos.
Perguntado pela reportagem do programa se as arbitragens eram boas nos jogos em Ponta Grossa, Gubert, com um sorriso irônico, afirmou: ''Todos os árbitros que vêm aqui apitam bem. É tudo gente boa''.
O cartola ainda revelou o nome do funcionário da FPF que seria o intermediário na negociação. Segundo ele, uma pessoa conhecida por Bruxo é quem articula todo o esquema e passa recolhendo o dinheiro antes dos jogos.
Na segunda-feira à tarde, após a repercussão da denúncia, Gubert desmentiu a compra de árbitros e afirmou que a equipe de reportagem da ESPN Brasil manipulou a entrevista. Segundo o dirigente, a história contada por ele era referente ao folclore que envolve o passado do futebol paranaense. Gubert também pediu desculpas à torcida.
Ele se afastou da tesouraria do Operário, mas garantiu que permaneceria na presidência do Conselho Deliberativo. Nem Gubert, nem o presidente do clube, Sílvio Cosmoski, foram encontrados pela Folha ontem para comentar o caso.
Caça ao Bruxo Na FPF, a primeira meta é descobrir quem é o Bruxo. Funcionários e diretores, inclusive o presidente Onaireves Nilo Rolim de Moura, no cargo há mais de 20 anos, desconhecem o funcionário que seria o intermediador do suposto esquema de corrupção.
Segundo a assessoria de imprensa da entidade, Moura ficou surpreso com a notícia e ligaria ontem para cada presidente de clube que disputa a competição na tentativa de conseguir mais informações sobre Bruxo. O cartola também requisitou uma cópia do programa à ESPN Brasil, que será encaminhada ao Departamento Jurídico da FPF para análise. Existe a possibilidade de ser aberto um processo contra a emissora e contra Gubert.
Moura não quis dar entrevistas, mas no início da noite a assessoria de imprensa da entidade divulgou um nota afirmando que todos os dirigentes de clubes negaram ter sido procurados por Bruxo e dizem desconhecer esse tipo de prática. A nota também diz que as investigações irão prosseguir.


