O episódio ocorrido domingo em Assaí pode levar a Comissão de Vistorias em Estádios de Futebol da Federação Paranaense de Futebol (FPF) a agir com mais rigor. O ex-árbitro da FPF, Nelson Orlando Lehmkhul, que integra a comissão de vistorias, reconhece que deveria haver mais rigor com os clubes para liberar os estádios. ‘‘O campo do Assahi é um pouco precário e oferece fácil acesso do público no campo. É muito fácil entrar lá pelo portão que dá acesso aos vestiários. O prefeito ficou de fazer as reformas e liberamos o estádio sempre na vontade de ajudar os clubes. Se formos seguir as normas do que é necessário, não haverá jogo em lugar nenhum’’, avalia ele. ‘‘Mas estou chegando à conclusão que temos que ser mais drásticos e rever nosso posicionamento’’, sentencia.
Relatório da PM, enviado à Folha por Marcelo Caldarelli, presidente do Assahi, revela que não havia cadeado nos portões dos vestiários que dão acesso ao campo e que, no tumulto, diretores dos dois clubes entraram no gramado. O relatório é assinado pelo 3º sargento Jurandir B. de Melo.
Baseado em sua larga experiência - foi árbitro de 1968 a 1988, e de 1988 até até 94 presidiu a comissão de arbitragem da Federaçãop -, Lehmkhul, de 57 anos, reconhece que o fato ocorrido em Assaí é comum no futebol. ‘‘Na Série A-1 e na A-2 faz tempo que não temos problema desta natureza. Isto é mais comum no futebol amador e na categoria de juniores. No profissional o nível é outro, pois os clubes sabem que o prejuízo é muito grande, com a perda de pontos e inversão de mando de jogos’’, exemplifica.
Já o atual presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (Ceaf), José Carlos Marcondes, com 20 anos de experiência, afirma não ter conhecimento de um jogo ser encerrado sem que o resultado seja conhecido nos últimos anos.
Lehmkhul refuta a tese do presidente do Arapongas de que Antônio Moreno seja inexperiente. ‘‘Ao contrário, o Salazar tem muita experiência e também integra o quadro da Confederação Brasileira de Futebol, tendo inclusive apitado jogos da Série B do Brasileiro’’, reforça Lehmkhul, que preside a Associação dos Árbitros Profissionais do Paraná e é diretor da Escola de Árbitros da FPF.
Antônio Oliveira Salazar Moreno tem 35 anos é professor de Educação Física e atua no quadro de árbitros da FPF desde 1986. Salazar foi orientado a não dar entrevistas sobre o caso.

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