A cidade de Foz do Iguaçu viveu ontem seu primeiro dia como nova integrante da elite do futebol paranaense. A novela envolvendo a segunda vaga na Primeira Divisão do Estadual 2009 acabou na noite de terça-feira, com final feliz para o time da fronteira, que deixou o prédio do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) vitorioso.
Após 64 dias, a Divisão de Acesso, enfim, conheceu seu vice-campeão - título ficou com o Nacional. Por 4 votos a 0, a 2 Comissão Disciplinar do TJD-PR puniu o Operário por abandono de campo na partida entre as duas equipes, no dia 29 de junho, em Foz. Assim, a equipe de Ponta Grossa perdeu seis pontos e os iguaçuenses ficaram com a segunda colocação do torneio. O Operário ainda pode recorrer ao Pleno do TJD-PR e, depois, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
O jogo seguia empatado em 1 a 1, o que garantia o acesso ao Fantasma, até os 41 minutos do segundo tempo, quando o árbitro Edivaldo Elias da Silva assinalou um pênalti em favor dos donos da casa. Após uma confusão, os jogadores do Operário deixaram o gramado alegando que não havia segurança para o jogo continuar. O árbitro, porém, encerrou a partida após dez minutos de paralisação e relatou abandono de campo dos pontagrossenses na súmula.
O Operário tentou impugnar a partida tanto na esfera estadual como no STJD, mas não obteve sucesso. Na volta ao TJD-PR, o clube foi severamente punido. Denunciado com base no artigo 205 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) - ''dar causa à não realização ou impedir o prosseguimento de partida'' -, o Fantasma não só perdeu os seis pontos como foi multado em R$ 10 mil, e foi proibido de participar do campeonato subsequente na mesma categoria, no caso, a Divisão de Acesso do ano que vem. Assim, o clube poderá voltar a disputar um torneio profissional somente em 2010.
O empresário Francisco Carlos de Jesus, o Chico da Bracol, presidente do grupo gestor que comanda o Operário, se mostrou resignado com a perda da vaga na Primeira Divisão, mas considerou a pena aplicada pelos auditores muito pesada.
Nos próximos dias, o advogado do clube, Domingos Moro, entrará com recurso tentando amenizar a punição. Apesar de guardarem em sigilo a tática a ser usada, a defesa tentará jogar a culpa em algum membro da equipe, possivelmente o ex-técnico Rodrigo Muller. ''Vamos seguir o itinerário e voltar ao TJD antes de ir ao STJD. Vamos provar e exigir que a entidade Operário não seja prejudicada. O grande desafio é provar que o clube não pode ser penalisado e sim uma pessoa física, como já há precedentes'', apontou Chico da Bracol.
Apesar de ter ficado com a vaga, o Foz não deixou o tribunal sem punição. A equipe da fronteira havia sido denunciada no artigo 213 do CBJD - ''deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto - pelo procurador Gustavo Luiz Bizinelli e acabou condenada a pagar multa de R$ 10 mil, além de perder o mando de campo por dois jogos, pena que cumprirá na Copa Paraná.

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