Foz anuncia briga por vaga do Ponta Grossa
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 1998
Claudemir Scalone 
A possível negociação da vaga do Ponta Grossa na Série A-1 do Campeonato Paranaense de 1999 com o Londrina, publicada sexta-feira na Folha, repercutiu forte em Foz do Iguaçu. O presidente do Foz do Iguaçu, Oneldo Luiz de Obregon, garante que se a proposta do time ponta-grossense se concretizar o seu clube vai lutar em todas as instâncias possíveis para ficar com a vaga na primeira divisão. Se for feita alguma coisa nesse sentido, o Foz vai correr atrás de seus direitos, afirma Obregon.
O presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Rolim de Moura (foto), tira as esperanças do Foz dizendo que o Londrina será o primeiro beneficiado caso haja alguma brecha na primeira divisão.
A confusão teve início quinta-feira, quando o presidente do Ponta Grossa, Antonio Luiz Mikulis, disse que cederia a vaga ao Londrina em troca de um valor suficiente para cobrir dívidas do seu clube (superior a R$ 100 mil). Mikulis e o coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto, estão discutindo o assunto.
Para Obregon, se se confirmar a desistência do Ponta Grossa, quem entará em seu lugar é o Foz do Iguaçu, terceiro colocado na Série A-2 (segunda divisão) deste ano. Se o Ponta Grossa desistir, a vaga, por direito, é nossa, diz ele.
A reivindicação do Foz do Iguaçu bate de frente com o que pensa o presidente da FPF. Segundo Moura, se alguma equipe decidir capitular da Série A-1 o beneficiado será o Londrina. Se por acaso houver a desistência de algum time, o que não acredito, quem ascenderá na primeira divisão é o clube imediatamente classificado no campeonato deste ano. Neste caso, seria o Londrina, que terminou na penúltima colocação.
Para ele, a permanência do Londrina na Série A-1 seria um procedimento normal caso se confirme a ausência da equipe ponta-grossense.
De acordo com Moura, nada diz que o Foz tenha direito à hipotética vaga do Ponta Grossa. Se surgir uma desistência, todo mundo vai querer participar do campeonato. Vai ser uma guerra, prevê.
Onaireves Moura não acredita que vá ocorrer essa negociação entre Ponta Grossa e Londrina. Conversei com o Mikulis e ele me garantiu que disputará o campeonato. Há até uma proposta da prefeitura de Ponta Grossa para que ocorra uma fusão entre o Operário e o Ponta Grossa.
O presidente da FPF reitera que qualquer alteração na fórmula de disputa do Campeonato Paranaense de 99 só poderá ser feita pelos clubes já qualificados este ano. Quem pode alterar alguma coisa são os 12 clubes da primeira divisão que vão participar do arbitral da próxima sexta-feira, dia 13.
Obregon deu a entender que até apóia a iniciativa do Londrina em voltar à Série A-1. Acho que cidades como Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel não podem ficar de fora da primeira divisão estadual. A solução seria aumentar o número de clubes, como no Campeonato Paulista, e disputar uma fase seletiva, sugere.
Oneldo Luiz de Obregon acredita que a repercussão do negócio envolvendo Ponta Grossa e Londrina pode ser benéfica para uma virada de mesa. É preciso criar condição para uma mudança. O Londrina está brigando para subir para a primeira divisão do Brasileirão e, certamente, há muito interesse para que não fique fora da divisão de elite do futebol paranaense.
Apesar de não ter sido convidado para participar do arbitral do Paranaense-99, na próxima sexta-feira, na sede da FPF, em Curitiba, o presidente do Foz promete estar presente. Vou participar normalmente como filiado da Federação, diz, admitindo que estará fiscalizando possíveis abandonos na Série A-1. Vou estar na área, avisa. Segundo Onaireves Moura, nada impede que o Londrina também envie algum representante.
Têm direito assegurado em participar do arbitral do Estadual somente 12 equipes: Atlético, Coritiba, Paraná, Iraty, Apucarana, Rio Branco, Francisco Beltrão, União Bandeirante, Matsubara, Ponta Grossa, Malutrom e Batel - os dois últimos como campeão e vice da Série A-2 deste ano.


