Depois de protagonizar uma longa batalha jurídica com o Operário pela vaga na Primeira Divisão, o Foz do Iguaçu pode se despedir da elite estadual sem nem mesmo estrear. O clube passa por uma séria crise financeira e ameça desistir de disputar o Paranaense.
O presidente Loiri Dalla Corte vai até Curitiba, na próxima terça-feira, conversar com o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Hélio Cury, em busca de uma solução emergencial para o principal problema do clube: a reforma do Estádio ABC.
O clube ficou 11 anos sem disputar a Primeira Divisão e, consequentemente, a praça esportiva não recebeu a manutenção devida. A última grande reforma ocorreu em 1999, quando serviu de local de treinamentos para a seleção brasileira, que disputava a Copa América no Paraguai.
A vistoria feita pela comissão da FPF apontou muitas irregularidades e pontos inseguros no estádio, que pertence ao ABC, um clube amador de Foz do Iguaçu. A FPF havia dado prazo até a próxima segunda-feira para que os estádios estivessem pelo menos com as reformas em andamento. ''A Federação precisa pelo menos ver que estamos mexendo, mas nem isso ainda fizemos'', disse o cartola.
A vistoria apontou a necessidade de construção de um portão nos fundos do estádio, uma área de isolamento da torcida visitante, reforma nos banheiros, construção de mais cabines de imprensa e reformas das já existentes, além de outras melhorias.
''Acredito que se formos fazer tudo o que é pedido, vamos gastar de R$ 80 a R$ 100 mil. Procuramos a Prefeitura para uma ajuda e não obtivemos resposta. A única alternativa é pagarmos do bolso essa reforma, só que daí não vai dar para investir no time. Vamos jogar com o que tiver aí'', lamentou Dalla Corte. ''Se ninguém da cidade quer ajudar, fazer o quê? Vai ser assim e pronto'', disse, em tom magoado.
De acordo com o dirigente, o Foz ainda não fechou com nenhum patrocinador para 2009. Os contratos com as empresas que estampam o uniforme do time terminam no final do mês. ''Ficaremos sem nenhum patrocinador e fica complicado de tocar o time'', cobrou Dalla Corte, revelando que a projeção de despesas mensais que o clube terá durante o Estadual é de R$ 120 mil. Além da falta de investidores, a pouca presença de público também contribui para o desânimo da diretoria do time iguaçuense.
A indecisão sobre o futuro do Foz é também o principal motivo das férias prolongadas do elenco e da demora em anunciar reforços. ''Para contratar tem que ter patrocínio'', argumentou.
Caso realmente abandone o campeonato, o clube deve ser penalizado com uma multa de R$ 100 mil, além de ser suspenso de competições oficiais por dois anos.

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