Fotógrafo de Londrina se aventura na Patagônia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O fotógrafo italiano Fabrizio Borboni, 31 anos, que mora em Londrina há quatro anos e trabalha para a equipe Londrina Truck Racing, fez no final do ano passado a travessia do Deserto da Patagônia. O percurso de mais de 1.000 quilômetros foi de bicicleta.
A inóspita região, situada ao Sul da Argentina e do Chile, e cortada pela Cordilheira dos Andes, vem sendo um dos novos destinos de aventureiros do mundo todo, em busca de superação de desafios. A Transpatagônia inicia no Litoral do Chile, na cidade de Puerto Montt, no Pacífico, e termina em Puerto Madrín, no Litoral da Argentina, no Atlântico. No total, o fotógrafo percorreu 1,2 mil quilômetros, pois iniciou a aventura nas montanhas de Bariloche, do lado argentino da Cordilheira, de onde se deslocou até Puerto Montt - ponto de partida oficial da expedição.
No total, foram 14 dias dormindo em barracas, hospedarias ou albergues, sem qualquer conforto e enfrentando à noite temperaturas próximas de zero grau, e de dia um calor típico de deserto. ''Pedalar debaixo daquele sol escaldante, sem enxergar nenhuma árvore num raio de quilômetros foi difícil. Mas o sentimento era de vitória ao concluir cada etapa. Valeu a pena'', garantiu Borboni.
Do grupo que iniciou a aventura, formado por 25 argentinos, italianos e só ele do Brasil, apenas nove concluíram. Bornoni foi um deles. ''Muitos não chegaram ao final porque o grupo era heterogêneo: o mais novo tinha 24 anos e o mais velho, 74'', contou o fotógrafo.
O que mais o marcou durante viagem foi a dor nos braços e joelhos após cada trecho pedregoso de 100 quilômetros. ''Os outros tomavam analgésicos e relaxantes musculares, que só mascaram a dor. Eu me neguei a tomar''.
Entre as cenas que ficaram gravadas, uma delas foi a de três patos ''perdidos'' num poça d'água no deserto. ''Estávamos perto de El Caín, no Altiplano da Patagônia (a 1.500m de altitude) e vi aqueles patinhos num poço perdido no meio do nada e imaginei como sobreviviam. Não havia comida e nenhuma árvore ou habitação num raio de 50 quilômetros. Só alguns restos de crânio de carneiro'', relatou Borboni.
O fotógrafo também se impressionou com as manadas de cavalos e de carneiros selvagens vistos soltos nas montanhas. Além dos trajetos de bicicleta, Borboni conta que também fez cerca de 130 quilômetros a pé (trekking) para atravessar a Cordilheira dos Andes. ''Foi uma experiência única conhecer um lugar aonde a civilização ainda não chegou. Qualquer lugar no mundo é bonito ou feio, depende de como você o vê'', concluiu.
SERVIÇO
Fabrizio Borboni está organizando exposições com as fotos da expedição. Informações pelo fone (43) 9936-0556 ou pelo e-mail: fabriborbonitiscali.it


