Santos, 12 (AE) - Sob forte esquema de segurança, com 120 homens distribuídos entre a área interna e externa do Estádio Urbano Caldeira, foi realizada hoje a eleição para a escolha do novo Conselho Deliberativo do Santos FC, que vai definir o destino do clube nos próximos dois anos. A expectativa em relação ao novo pleito era grande, em razão dos episódios registrados no último dia 4, quando houve confronto entre os representantes das duas chapas, culminando com o cancelamento da eleição, porque um dos conselheiros pleiteou, na Justiça, sua efetivação do cargo, por ter completado cinco mandatos consecutivos. A questão foi resolvida na quinta-feira, quando Nélson Barros teve o seu pedido de desistência da liminar aceito pelo juiz da 12ª Vara Cível, Rogério Márcio Teixeira. Às 10 horas, como estava programado, o atual presidente do CD, Florival Amado Barletta, abriu os trabalhos da assembléia regal, iniciando a eleição.
As contínuas reuniões promovidas no decorrer da semana, com o objetivo de apaziguar os ânimos das duas facções, parece que surtiram o efeito desejado. Tanto que um incidente registrado logo no início do pleito adiou a votação em uma hora, mas foi resolvido sem traumas.
Representantes da Tradição Alvinegra, a chapa 1, encabeçada pelo atual vice-presidente, José Paulo Fernandes, reclamaram de uma faixa, que consideravam ofensiva, porque trazia os seguintes dizeres: "Zé Paulo, cadê os R$ 74 milhões da venda de jogadores do Santos de 96 até hoje ?" Representantes da chapa 2, de oposição, liderada pelo ex-presidente Marcelo Teixeira, concordaram com a reclamação e providenciaram a retirada imediata da faixa, afixada em frente ao estádio da Vila Belmiro. Fora isso, o ambiente dentro e fora do Salão de Mármore, onde estavam instaladas as cinco cabines de votação, esteve bastante tranquilo em todo o decorrer do dia.
Por volta das 13 horas, as filas davam volta em torno do gramado, já que havia 10.409 sócios aptos a votar. Os simpatizantes das duas chapas faziam questão de votar com as camisetas que identificavam a Tradição Alvinegra e a Novos Rumos.
Fora do estádio, um verdadeiro carnaval era observado entre os torcedores, uma vez que dois trios elétricos foram contratados para fazer propaganda da Chapa 1 (Tradição Alvinegra), com apoio explícito do Atleta do Século, Pelé. Sem a proibição das bebidas alcoólicas, como acontece nas eleições comuns, os vendedores ambulantes fizeram a festa, vendendo cerveja e caipirinha para as torcidas das duas facções.

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