Londrina, PR, 17 (AE) - O forte calor no Norte do Paraná surpreendeu a comissão técnica da Seleção Brasileira e motivou a transferência de horário dos treinos programados com antecedência, que passaram a ser realizados mais para o fim da tarde. O fisiologista da seleção, Renato Lotufo, criou uma solução hidratante para evitar problemas clínicos com os jogadores. Ele disse que no amistoso de sábado contra a Costa Rica, em Maringá, alguns jogadores perderam até "quatro litros de suor", o que pode representar uma perda de 5% do peso total do atleta. Segundo Lotufo, em casos semelhantes o jogador pode sofrer náuseas, ter enjôos e cefaléia.
Ele explicou que a capacidade de esvaziamento do aparelho digestivo é de 1,2 litro por hora, e que num jogo de futebol pode chegar a 1,5 litro ou até dois litros por hora. "Meu trabalho nos últimos dias, tem sido não o de hidratar, mas sim o de pré-hidratar.
Os treinos da seleção têm sido interrompidos várias vezes por recomendação médica para que os jogadores possam repor água no organismo. A temperatura média em Londrina nos últimos dias tem sido superior a 31 graus. Se ela permanecer alta nos dias de jogos, os atletas terão de seguir uma tabela preparada por Lotufo, ou seja ingerir 300 ml da solução preparada por ele, quatro vezes num espaço de duas horas: quando faltar uma hora e meia para o início do jogo, uma hora, meia hora e logo após o aquecimento.
"Se a condição ambiental permitir, podemos trocar a solução caseira, por uma solução isotônica, como o Gatorade." Segundo o programa do fisiologista, os jogadores devem também ingerir 300 ml de uma das soluções logo que chegarem ao vestiários no intervalo dos jogos e, a mesma quantidade quando estiverem voltando para a disputa do segundo tempo.
Lotufo disse ainda que a tentativa de hidratação apenas com água pode intoxicar o atleta. E acrescentou que a perda de um litro no organismo do jogador equivale em média diminuição do peso em um quilo.
Para ele, as outras seleções do torneio pré-olímpico podem ser prejudicadas com a alta temperatura se não fizeram um trabalho de aclimatação. "Esta situação pode ser uma vantagem para nós, mas depende como os outros se prepararam.
Pelos levantamentos feitos por Lotufo, um atleta que perde 5% de seu peso durante uma partida, tem uma queda em torno de 30% na sua performance em campo. A cada litro perdido pelo esforço físico a frequência cardíaca do atleta aumenta em 10 batidas. "Isso tudo pode facilitar o surgimento de uma lesão".
Ainda de acordo com Lotufo, com a perda de 3% do peso "corporal", o rendimento do jogador é afetado em 17% em média. Ele teme que a umidade relativa do ar possa estar elevada no dia do jogo. "Assim, o suor não evapora e o atleta não perde calor, apenas se desidrata.

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