Fortaleza, capital do windsurfe mundial
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de novembro de 1997
Silvia Herrera Agência Estado 
DivulgaçãoVerão totalPela
primeira
vez o
Brasil
sediará
uma etapa
do Mundial.
O Ceará
foi o
lugar
escolhido
por reunir
os três Ws,
Wind (vento),
Wave (ondas) e
Weather
(condições
climáticas
favoráveis)Pela primeira vez o Brasil foi escolhido para uma etapa do Campeonato Mundial de Windsurfe. De 10 a 16 de novembro acontece o Ceará Wind, em frente ao Caesar Towers/Beach Park, no Porto das Dunas, a 22 km de Fortaleza. Esta prova é o Grand Slam da América do Sul e a décima nona etapa da temporada mundial do circuito profissional, com provas nas modalidades Wave, Race e Long Distance, nas categorias masculina e feminina.
O Ceará foi o lugar escolhido pela Professional Windsurfers Association (PWA) por reunir os três Ws, Wind (vento), Wave (ondas) e Weather (condições climáticas favoráveis), argumenta Ivan dos Santos, presidente da Associação Brasileira de Prancha a Vela. Para quem não poderá conferir de perto, o evento será transmitido pela Rede Globo de televisão, que adquiriu os direitos de imagem.
Embora o campeonato tenha mais uma etapa além da brasileira, o dinamarquês radicado nas Ilhas Canárias, Bjon Dunkerbeck, já é o campeão pela décima vez consecutiva, isso mesmo se perder as duas últimas etapas. A última etapa acontece no Havaí, ainda sem data confirmada.
Outras feras que participam do Ceará Wind são o norte-americano Robby Naish, o francês Patrice Belbeoch (atual vice), o sueco Anders Bringdal e a francesa Nathalie Livre (campeã mundial do feminino). Ao todo serão 150 velejadores de 70 países, que além dos troféus, estarão disputando US$ 130 mil, distribuídos da seguinte forma: US$ 10 mil para o Long Distance e US$ 120 mil entre os vencedores da Wave e da Race.
Como os brasileiros estão bem atrás no ranking, os cinco primeiros colocados do Campeonato Brasileiro podem participar do mundial. Assim como mais cinco velejadores convidados pela PWA. Vai ser emocionante estar lado a lado com esses mitos, diz o velejador paulista Adrien Caradec, que começou a praticar este esporte há 20 anos, já foi várias vezes campeão brasileiro e paulista.
Ao mesmo tempo que é emocionante é meio desonesto. Não dá para nenhum brasileiro vencer, os outros velejadores são todos profissionais, enquanto nós somos amadores. Para ter uma idéia, os equipamentos que usamos são desenvolvidos por eles, completa. Outros brasileiros que podem participar do mundial são o carioca Roberto Ermel, o cearense Marcílio Browne, o catarinense Wilhelm Shurmann (atual campeão brasileiro), a paulista Valéria Matuck e a gaúcha Daniela Monteiro, atual campeã brasileira e vice-sul-americana.
Apesar da costa privilegiada do Brasil, os velejadores do windsurfe ainda são poucos por aqui. Dos 10 milhões de pessoas que o praticam, 50% estão na Europa, 25% na Ásia e no Pacífico, 20% nos EUA e apenas 5% em toda América Latina. O windsurfe surgiu nos EUA no começo dos anos 70, mas por aqui as primeiras pranchas apareceram só em 77, lembra Caradec. A primeira que vi foi daquele cantor Dudu França na Ilhabela. Como eu já velejava de Hobbie Cat ficava namorando aquela prancha a vela, e logo na primeira vez que consegui uma emprestada, já saí velejando em pé sozinho numa boa, prossegue.
Atualmente, há várias escolas de windsurfe no Brasil e o curso básico é bem rápido, apenas doze horas são suficientes para aprender a se virar. E o equipamento básico custa US$ 1,5 mil, no máximo. Os velejadores do mundo, em sua maioria, adoram viajar à procura de points melhores. O próprio Dunkerbeck, a convite da Hi Winds, esteve no Brasil no ano passado para conhecer alguns points no litoral catarinense, no paulista e no carioca. Gosto muito de viajar, sair da rotina para fazer trip de windsurfe e muito freesurfe, sem me preocupar com pontuações e campeonatos, diz Caradec, que atualmente prefere a Wave, entre todas as modalidades. Para quem gosta de surfar é maravilhoso, não é preciso remar e você faz manobras aéreas nas quais dá para voar alto mesmo. Gosto mais da Wave porque essa modalidade exige muito mais concentração e auto conhecimento, você fica testando seus limites físicos e emocionais o tempo inteiro, disputando com a natureza, relata.
As provasA etapa do Mundial terá as seguintes provas: Grand Slam: tem duração de dez dias e é formado pelas modalidades Race, Wave e Long Distance; Grand Prix: dura uma semana, com provas de Race, podendo incluir também a Speed; World Cup: dura cinco dias, com provas de Race, Wave ou Speed; Recognized: modalidades Race ou Wave. Na prova de Race, a regata é realizada entre bóias, com percurso máximo de cinco mil metros, em circuito Up Wind (contra o vento), onde predomina a técnica e Down Wind (a favor do vento). Na Long Distance, a corrida de longa distância é realizada de um ponto a outro, com percurso superior a 20 km e duração máxima de uma hora e 30 minutos. Na Speed, a competição é disputada em local com ventos acima de 40 nós e com mar liso. As velocidades são medidas de forma individual, por radar eletrônico. O record é de Bjorn Dunkerbeck com 78,36 km/h. Wave: manobras e performances nas ondas. Entre as mais difíceis estão os jibes (Duck Jibe; Jump Jibe; Laydown Jibe) e loopings (Back Looping; Forward Looping; Double Looping). A Indoor é outra prova e envolve qualquer uma das modalidades acima, realizadas em um local fechado, com ventiladores gigantescos que controlam o vento.
Algumas manobras utilizadas: looping - um salto de 360 graus; back looping - looping para trás; forward looping - looping para frente; double looping - looping duplo, que pode ser realizado para trás (back double looping) ou para frente (forward double looping); jibes - são as curvas feitas pelo velejador, quando ele inverte a posição da prancha pegando a vela pelo lado oposto; duck jibe - um dos jibes mais difíceis, quando o velejador muda a posição da prancha pegando a vela do outro lado, mas conduzindo o braço pela parte de trás; jump jibe - o velejador dá um salto e cai com a prancha invertida; laydown jibe - manobra mais utilizada pelos velejadores profissionais e que tem melhor velocidade de saída. Nela, o velejador baixa a vela rente à água até completar a curva; table top - salto em que o velejador vira a prancha ao contrário.


