Salustiano permaneceu na categoria e assumiu a liderança do campeonato após vencer no Autódromo Ayrton Senna
Salustiano permaneceu na categoria e assumiu a liderança do campeonato após vencer no Autódromo Ayrton Senna | Foto: Gustavo Carneiro



O entra e sai de pilotos na Fórmula Truck não foi suficiente para provocar surpresas na pista durante a etapa Londrina realizada neste domingo (7), no Autódromo Internacional Ayrton Senna. O experiente Paulo Salustiano (Mercedes), que largou na poli position, manteve a liderança até o fim, mas foi ameaçado durante a prova pelo novo companheiro de equipe, Valmir Benavides, que abandonou a corrida após problemas no caminhão. Benavides ocupou o lugar na equipe deixado por Wellington Cirino, até então líder da competição.

Cirino e pilotos experientes como Beto Monteiro, Leandro Totti e Felipe Giaffone deixaram a Fórmula Truck para participar da recém-criada Copa Truck. O racha causou desgaste nos bastidores, mas não abalou a realização da etapa Londrina. Alex Fabiano (Mercedes), que reestreou na competição, conquistou o segundo lugar. Mesmo com as desistências, dois pilotos já confirmaram a entrada na competição a partir da próxima etapa em Cascavel: Marlon Watanabe e Eduardo Monteiro.

Com a vitória, Salustiano assumiu a liderança do campeonato. "Londrina é a minha segunda casa. Sou paulista, mas sou londrinense de coração e me sinto muito a vontade com a cidade e com a pista", afirmou o piloto que completou 73 corridas na categoria.

Ele não escondeu a insatisfação com os companheiros que desistiram da Truck. "Não foi legal. Tudo isso que aconteceu... Não vou nem entrar no mérito das justificativas, mas aconteceu. Eles formaram uma nova categoria. Está difícil, mas há uma perspectiva grande de melhora na competição. Tenho certeza que o grid vai aumentar cada vez mais a cada etapa". Ao todo, oito pilotos participaram da etapa em Londrina.

"INGRATIDÃO"
Para a presidente da categoria, Neusa Navarro Félix, o período turbulento da Truck representa apenas um recomeço. "Pode existir outra categoria, mas a gente não vai desistir. A Fórmula Truck tem 22 anos, tem um nome e uma marca. É um momento difícil para o País, não só para a Truck, mas para todo o automobilismo. Tivemos problemas nesta semana que fugiram do controle e não consegui repor os caminhões que saíram", lamentou.

Neusa estuda mudanças na organização das etapas como a parceria com outras categorias para a realização competições conjuntas. "Boa parte dos pilotos ficou conhecida na Fórmula Truck. Muitos se formaram pilotos aqui dentro. Foi muita ingratidão, mas... Tudo tem um começo, meio e fim. Chegou ao fim para eles, mas a nossa competição continua". A próxima etapa será realizada no dia 4 de junho, em Cascavel. A expectativa é que, pelo menos, 14 competidores participem da prova.

Mulheres no pódio
Em um ambiente predominado pelos homens, a primeira equipe feminina da Fórmula Truck ganha destaque a cada etapa da competição. Cristina Rosito (Volvo) fez a festa no pódio na terceira colocação em Londrina e levou o prêmio de melhor equipe da etapa em parceria com a piloto Carolina Cánepa.

Cristina é a mais experiente da dupla. "Tenho 39 anos de pista. Comecei correndo de moto aos 11 anos. Acho que, no máximo, duas vezes pilotei em categorias femininas. O resto foi sempre contra os homens. É a primeira vez que formo uma equipe feminina, fato inédito no mundo. Isso é muito difícil porque ainda existe preconceito. Tenho sempre que vencer duas vezes para mostrar o meu potencial, apesar de já ter ganho muitos campeonatos", contou.

A Woman`s Racing Team conquista o apoio da torcida a cada prova. "Tenho plena convicção que no dia em que eu tiver que medir forças com qualquer homem, eu vou perder. Mas, no momento em que isso não requer força física, eu tenho condições de competir igual pra igual com qualquer um", comemorou. (V.C)

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