Considerada a categoria-escola do automobilismo brasileiro, a Fórmula Ford não terá o campeonato de 97 e a possibilidade é de a mesma ser extinta. Depois de 25 anos nas pistas, revelando pilotos do porte de Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna, só para ficarmos em três dos maiores pilotos de toda a história do automobilismo, a F-Ford sai de cena, enquanto nos demais países ela continua a ser um celeiro de campeões.
Para alguns pilotos que participaram do campeonato deste ano, o desânimo é total, assim como para seus pais, os maiores incentivadores de suas carreiras. ‘‘Acho lamentável. É um campeonato antigo no mundo, que serviu de base para muita gente que hoje é destaque no automobilismo. Isto reflete a própria situação da Ford no mercado nacional. Acho que eles estão cometendo um grande equívoco’’ - disse Ademar Moro, pai do piloto gaúcho Juliano Moro (foto), campeão de 96. ‘‘A multinacional está fechando uma escola’’ - observa Massilon Bernardes, pai do piloto Rodrigo Bernardes, que estreou este ano na categoria.
Dos pilotos, a queixa maior vem por parte daqueles que já estavam acertados com seus patrocinadores, ou muito próximos disto. ‘‘Eu tenho dois patrocinadores que assinaram um contrato para a F-Ford, e já assinei com a equipe JF Racing, que foi a campeã deste ano. E agora?’’ - indaga o catarinense Joel Carlis.
Para os pilotos que estão rumando para o exterior, o próprio reconhecimento da categoria não justifica esta decisão. ‘‘Foi na F-Ford que aprendi muito do automobilismo, e que me proporcionou tentar o sucesso na F-Ford 2000, nos Estados Unidos, no ano que vem’’ - conta o paulista Urubatan Helou Jr. O vice-campeão deste ano, Fernando Pantani, que dará continuidade em sua carreira na F-Vauxhall inglesa, disse estar chocado com a política da Ford. ‘‘Sempre soube que a categoria era o celeiro brasileiro que exportava pilotos para o mundo. É muito triste que isto esteja acontecendo’’ - contou Pantani.

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