Fórmula de disputa desagrada os torcedores
Fernando Tupan - De Curitiba
Claudio Osti - De Londrina
Três meses antes do torneio começar, os torcedores já deram cartão vermelho ao próximo Campeonato Paranaense. Em sua grande maioria, as pessoas ouvidas pela Folha em Londrina e Curitiba desaprovam a fórmula de disputa elaborada pelos clubes no arbitral, terça-feira retrasada, na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF).
Doze equipes Coritiba, Atlético, Paraná, Londrina, Rio Branco, Iraty, Apucarana, Malutrom, Operário, Francisco Beltrão, União Bandeirante e Portuguesa Londrinense vão disputar o certame, previsto para começar em 27 de fevereiro e terminar em 16 de julho.
Na reunião do dia 12, que começou no final da tarde e foi madrugada adentro, presidentes e representantes de clubes decidiram que o Estadual-2000 da Primeira Divisão será disputado no sistema de pontos corridos, em turno e returno. Classificam-se os oito primeiros colocados para um mata-mata igual ao que está sendo disputado atualmente no Brasileirão da Série A. Com uma diferença: em vez de o 1º colocado enfrentar o 8º e assim por diante, os cartolas paranaenses querem que o 1º enfrente o 2º, o 3º jogue contra o 4º, o 5º contra o 6º e o 7º contra o 8º.
A fórmula que ignora completamente os critérios técnicos contemplou reivindicações do Clube dos 9, entidade que reúne equipes do interior. A intenção foi a de garantir um lugar na decisão para pelo menos um clube do interior, imaginando que o trio-de-ferro curitibano (Coritiba, Atlético e Paraná) terminará a fase de classificação nos primeiros lugares e, portanto, vão se enfrentar logo nas quartas-de-final e nas semifinais.
O receio dos torcedores é que a fase de classificação, com suas 21 rodadas, tenha jogos desinteressantes com estádios vazios e, pior, que as equipes fabriquem resultados para não cruzarem com times mais fortes já no primeiro mata-mata.
Os três grandes de Curitiba estão tentando organizar um torneio paralelo, bancado pela TV, com Londrina, Grêmio Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Operário. Para isso, deverão mandar a campo, no Paranaense, equipes juniores. E só escalarem as equipes principais na fase decisiva o que esvaziaria ainda mais o campeonato oficial do Paraná.
A reação dos torcedores foi veemente. O empresário Lelo Penha, atleticano, não perdoa o que ele considera a mancada do ano 2000:
A fórmula do Campeonato Paranaense é pra lá de ridícula; os clubes de Curitiba têm mais é que jogar com o time de juniores mesmo. Tanto faz chegar em oitavo ou em primeiro, nada conta. A competição só começa nos playoffs. Os cartolas do interior deviam fazer uma seletiva para classificar cinco para disputarem o título com Atlético, Coritiba e Paraná.
O fotógrafo Marcelo Dallegrave acrescenta:
Esse campeonato vai ser uma grande perda de tempo. Ficar jogando com Operário e outros timinhos não tem nada a ver. Você torra grana, sabendo que os três finalistas serão da capital. O futebol paranaense precisa virar de cabeça pra baixo, para, quem sabe, dar mais emoção. Por enquanto, só se consegue vibrar em clássicos.
O jornalista Aldo Ribeiro engrossa o coro dos descontentes:
Todo ano é a mesma briga nos arbitrais, mas esse ano os dirigentes abusaram. A fórmula do Paranaense é uma das coisas mais rídiculas que tenho conhecimento. O que vai acontecer, se persistir essa fórmula? Os clubes grandes vão ficar disputando para ver quem é mais competente em perder, só para conquistar uma vantagem. Isso prova a falência do futebol aqui no Estado.
O empresário Eduardo Kiss endurece o jogo:
Nem dou bola para esse campeonato. Quero que esses times se lixem. Eu torço para o Coritiba e o único jogo que acho que vou assistir é o Atletiba. Os times do interior são todos porcarias. Precisam melhorar muito. Como não acho dinheiro no lixo, só vou aos estádios nas finais.
O radialista Christian Toledo é categórico:
Cartão vermelho para esse Campeonato Paranaense. A fórmula é um absurdo; não privilegiar a equipe que chegar na segunda colocação é uma brincadeira. Estão falando que irá acontecer um torneio paralelo com Coritiba, Atlético, Paraná e mais Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa, que irá dar mais o que falar.
Em Londrina O servente de pedreiro Aparecido de Oliveira afirma que costuma acompanhar os debates dos programas esportivos das rádios e ficou sabendo das regras do campeonato. E desabafa:
Posso falar? Olha, isso parece uma bagunça sem tamanho. Quem é que vai querer ganhar jogo se não tem vantagem nenhuma? Será que esses dirigentes não pensam nisso não? É pura palhaçada.
Laércio José Bueno, que trabalha no comércio, confessa que não é muito de ir a estádio de futebol ver jogo, mas gosta de ver pela TV.
Eu não sei nada desse regulamento, mas se for do jeito que está acontecendo no Campeonato Brasileiro, tem tudo para não dar certo. Esse tal de playoff só atrapalha. Olha aí o Cruzeiro, que foi eliminado. No Paraná pode acontecer a mesma coisa. O time vai bem, faz mais pontos e depois cai fora, sem mais nem menos. Pra mim, regulamento tem que ser com turno e returno e um quadrangular final e pronto, sem frescuras.
O motorista autônomo Ingo Schroeder, torcedor do Londrina, disse que deu muita risada quando leu o regulamento nos jornais.
Parece coisa de quem nunca foi na escola. As coisas são tão fáceis e esses caras fazem tudo para complicar. E se o Londrina ganhar de todo mundo na primeira fase, não tem vantagem nenhuma? Aí pega o Atlético ou o Coritiba no tal de playoff e todo o trabalho pode ir por água abaixo? Melhor é ficar lá embaixo na tabela e pegar um time mais fraquinho. É para rir, não é?





