São Paulo - Hoje, no circuito de Interlagos, no Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, encerra-se uma era no automobilismo mundial com a última corrida do alemão Michael Schumacher antes da anunciada aposentadoria das pistas.
Arrogante, dono de uma competitividade que ultrapassa os limites da ética e de um temperamento frio, Michael Schumacher está longe da imagem de ídolo esportivo. Porém, goste a torcida ou não, os números insistem em colocar este alemão de Hurth-Hermulheim no lugar de maior piloto da Fórmula 1 de todos os tempos.
Ele detém nada menos que todos os recordes da Fórmula 1: além dos sete títulos mundiais, dois a mais que o segundo colocado, o argentino Juan Manuel Fangio, ele é o piloto que mais vezes cruzou a linha de chegada em primeiro lugar (91) e o que mais saiu da pole (68). Como se não bastasse, Michael também é o dono do maior número de voltas mais rápidas (75) e de pontos (1.351).
Schumacher começou cedo, e aos quatro anos de idade já corria de kart. Profissionalmente, sua carreira começou em 1983, e um ano depois já era campeão da categoria júnior. No ano seguinte, passou para uma categoria superior, a German Kart Series. Em sua primeira participação, conseguiu um terceiro lugar.
Passando por categorias menos expressivas, Schumacher teve uma virada em sua carreira ao entrar para a Fórmula 3 alemã, em 1989. A maior exposição e os ótimos resultados fizeram a Mercedes convidar o jovem piloto a disputar o Mundial de Protótipos.
Em 1991, sua primeira prova na Fórmula 1 assusta a todos e apenas um GP foi necessário para que a Benetton o contratasse. A primeira vitória de Schumi aconteceu em Spa Francorchamps, na Bélgica, em 1992. A partir daí, ninguém mais conseguiria segurar o alemão. De um 12º lugar em 1991, ele pulou para a terceira colocação geral de 1992.
Em 1993, venceu a prova de Estoril. No ano seguinte, chegou ao título. Incontestável pela mídia e pelos pilotos. O próprio Ayrton Senna já havia avisado que ele era favorito. Naquele ano, 60 mil pessoas lotaram o autódromo de Interlagos esperando uma vitória do tricampeão. O que se viu foi o abandono da Williams e um passeio de Schumacher.
''Passeio'' talvez tenha sido a palavra mais usada pelos jornais da época. Na temporada, foram sete vitórias, inclusive a do fatídico GP de San Marino, em Ímola, no qual morreram Ayrton Senna e o austríaco Roland Ratzenberger. Um fato curioso é que o futuro tetracampeão não veio ao Brasil para o enterro de Senna. ''Fiquei com medo de algum fã me culpar pelo acidente e preferi não acompanhar as cerimônias por receio de ser agredido'', disse na época.
Michael Schumacher nunca foi admirado por seu temperamento, considerado altamente explosivo e arrogante. Alguns torcedores criaram um site especialmente para espalhar o sentimento que domina grande parte daqueles que acompanham a Fórmula 1. No conteúdo de uma página na internet, encontram-se montagens do piloto à semelhança de Adolph Hitler, o ex-chanceler alemão e líder do nazismo. (Gazeta Press)

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