Fórmula 1: Irvine tem 76% de chances para ser campeão
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
Suzuka, 27 (AE) - Considerando-se todas as colocações que não dão pontos aos pilotos, do sétimo lugar para trás, como um resultado único, o número de combinações possíveis envolvendo as classificações de Eddie Irvine e Mika Hakkinen no GP do Japão é de 43. Desse total, 33 combinações, ou 76,74%, dão o título para o norte-irlandês da Ferrari, enquanto apenas 10, ou 23,25%, garantem o bicampeonato para o piloto da McLaren.
Esses números, por si sós, oferecem bem uma mostra das chances de a Ferrari quebrar, no fim de semana, um série de 20 anos sem título de pilotos na Fórmula 1. Há fatores que, na teoria, até aumentam essas possibilidades, como o conhecimento de Irvine do circuito de Suzuka, por ter morado no Japão na época em que corria na Fórmula 3000 japonesa, 1992 e 1993.
Irvine estreou na F-1 no fim de 1993, em Suzuka, e conseguiu, de cara, o sexto lugar, com Jordan. No ano seguinte, ainda na Jordan, foi quinto. Em 1995 continuou crescendo, ao terminar em quarto. Um acidente marcou a sua presença na prova de 1996. Em 1997, com Ferrari, classificou-se em terceiro e no ano passado foi o segundo colocado.
A resistência do modelo F399 da Ferrari, que nas mãos de Irvine só abandonou uma das 15 etapas que disputou (o GP de San Marino), por quebra do câmbio, é outro fator que colabora para reforçar seu favoritismo. Mas talvez a maior ajuda possa mesmo vir do trabalho de Michael Schumacher, seu companheiro de equipe
como ficou claro no GP da Malásia, em que o alemão venceu por Irvine.
Para não depender do norte-irlandês, líder do Mundial com 70 pontos diante dos seus 66, Hakkinen tem de vencer o GP do Japão para ser campeão. Com a eficiência do modelo MP4/14 da McLaren e seu retrospecto na corrida, trata-se de uma tarefa apenas difícil e distante de ser impossível. Ano passado, o finlandês ganhou a prova e conquistou seu primeiro título mundial. A largada e a estratégia de corrida serão mais determinantes para Hakkinen que para Irvine, que pode correr em função da colocação do finlandês ao longo das 51 voltas da competição.
Hakkinen correrá sob a pressão de ter de chegar em primeiro ou entre os três que sobem no pódio. O que, ao contrário de ser ruim, parece favorecer sua concentração, conforme mostra sua carreira. Para ele poder ser o segundo e ser ainda campeão, terá de torcer para Irvine não ficar entre os quatro primeiros. No caso de Hakkinen se classificar no Japão em terceiro, bastará Irvine ser o sexto para comemorar um das conquistas mais surpreendentes da história de 50 anos da F-1.


