Parece coisa pensada: Senna morreu no dia em que muitos trabalhadores descansam, podem dedicar um pouco mais do seu tempo para resgatar na memória algumas das muitas passagens deliciosas, inesquecíveis do ídolo, como por exemplo a sofrida conquista do primeiro dos seus três títulos mundiais, no Japão, em 1988, depois de uma luta espetacular com Alain Prost. Hoje faz cinco anos que Senna morreu. O número cinco sugere um bloco do tempo. É diferente de dois, três ou seis, sete, mas semelhante a 10, 15 ou 20. Ao término desses blocos invariavelmente as reflexões são mais profundas.
Curioso o conceito de morte para alguns heróis. Eles se vão e sua torcida uniformizada aumenta, os negócios que levam seus nomes crescem e as manifestações de carinho, apreço, respeito se elevam interiormente em cada fã. Termina uma era e inicia-se outra, mais espiritual, mas de mesma intensidade. Cenas de grandeza, desprendimento, tenacidade e coragem do cotidiano são quase que de imediato associadas aos exemplos deixados pelo ídolo, reforçando a imagem de herói existente nos que o admiram.
Tudo isso se traduz por um Ayrton Senna vivo, bastante presente no coração dos que gostam de Fórmula 1, ou dos que aprenderam a gostar de Fórmula 1 e depois não quiseram mais saber desse esporte, culpando-o pela perda do ídolo. E esse não é um fenômeno brasileiro. Na Itália, onde amanhã será disputada a mesma prova que levou Senna, dá para antecipar, sem chance de incorrer em erro, que haverá muitos fãs do piloto estendendo faixas enaltecendo sua bravura, outros elevando a bandeira do Brasil, ou mesmo simplesmente vestindo uma camisa amarela. O objetivo é comum: lembrar os cinco anos sem Ayrton Senna. Provavelmente muitos dos descendentes desses fãs continuarão reverenciando o piloto.

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