Rio de Janeiro - Além da camaradagem típica dos "velhos lobos-do-mar", sem deixar de lado a competitividade natural entre alguns dos principais velejadores do mundo no comando de embarcações que podem ser consideradas a "Fórmula 1 dos mares", o que chama mais atenção na Volvo Ocean Race - que teve sua regata em terras brasileiras disputada no sábado, no Rio de Janeiro - é o glamour.
Presente em cada detalhe, dos estandes dos patrocinadores montados na Marina da Glória à participação da princesa Victoria, da Suécia, como convidada de um dos barcos na regata portuária. Sem contar o local escolhido para a disputa da 9ª etapa da competição de volta ao mundo, a Baía da Guanabara, cartão-postal da capital fluminense. Acompanhados de perto por dezenas de embarcações e outros tantos espectadores em terra, os sete barcos que seguem na disputa após a desistência da equipe russa deram um belo espetáculo de perícia e habilidade de seus comandantes.
Após um longo atraso ocasionado pela falta de vento, o que se viu foi uma bela disputa tática entre ao menos cinco concorrentes, todos assumindo em algum momento a liderança da regata, que durou cerca de 45 minutos. E começou a se desenhar na largada, contra o vento, aos pés da Ponte Rio-Niterói, quando a tripulação do Puma Ocean Race optou por uma rota diferente da adotada pelos outros seis adversários.
Manobra que parecia equivocada no início, que teve e liderança do Delta Lloyd, seguido de perto pelo Ericsson 4 comandado pelo brasileiro Torben Grael. Mas logo deu resultado, cabendo ao Puma chegar à curva da primeira boia com mais velocidade que os adversários, iniciando a primeira perna a favor do vento na ponta.
Liderança perdida a seguir para o Ericsson 4, que cruzou o pórtico da metada do percurso na frente, mas seguido de perto pelo próprio Puma, além de Ericsson 3, Telefonica Blue e Delta Lloyd. Este último assumiu a ponta após contornar a segunda boia, aproveitando melhor o contravento com uma mudança drástica de direção.
Parecia que a vitória da regata (que vale quatro pontos na classificação geral) seria mesmo do Delta, mas na última perna a favor do vento o Telefonica Blue conseguiu um melhor posicionamento na raia, desenvolvendo mais velocidade e ultrapassando o rival, trazendo junto o Puma, com o Delta fechando na terceira posição. Navegando em casa, Grael conseguiu apenas o 4º lugar, marcando 2,5 pontos e vendo sua vantagem na classificação geral cair um ponto - o Ericsson 4 é líder, com 66 pontos contra 56,5 do Puma. A próxima etapa da volta ao mundo começa na próxima semana, com os barcos deixando o Rio de Janeiro rumo a Boston, nos Estados Unidos.
* O jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite da Volvo

mockup