FÓRMULA 1 - GP DA BÉLGICA
Guerra sem trégua
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
LUIS FERNANDO RAMOS ENVIADO ESPECIAL<br> Spa-Francorchamps (BEL)<br>reporterpoli 

Parece até que a direção da Mercedes sabia que tinha acionado uma bomba-relógio ao dar liberdades na disputa pelo título entre seus dois pilotos.
Ontem, ela explodiu. Logo na segunda volta do Grande Prêmio da Bélgica, em Spa Francorchamps, Nico Rosberg tentou uma ultrapassagem sobre Lewis Hamilton por fora na primeira perna da curva Les Combes. Recolheu o carro na última hora, mas a asa dianteira de seu carro acabou furando o pneu traseiro esquerdo do companheiro.
Hamilton ainda se arrastou até os boxes, mas perdeu tempo e acabou danificando a aerodinâmica do carro no caminho. Seguiu na prova em posições intermediárias e acabou abandonando perto do final. Rosberg terminou no segundo lugar. Melhor para Daniel Ricciardo, da Red Bull, que conseguiu sua terceira vitória na atual temporada.
- Pareceu muito claro para mim, mas acabamos de ter uma reunião e ele (Rosberg) basicamente disse que fez de propósito, que poderia ter evitado. Ele disse que fez para deixar claro meu ponto de vista - relatou Hamilton à imprensa.
A direção da Mercedes não gostou do papel de Rosberg no incidente, mas o chefe TotoWolff desmentiu a interpretação de Hamilton de que a batida teria sido intencional:
- É totalmente inaceitável. Acidentes de corrida podem acontecer. Acidentes de corrida entre companheiros não devem acontecer. Acidentes entre companheiros na segunda volta de 44 com um carro dominante não dá para aceitar. Mas dizer que foi proposital é besteira. Os dois colocaram pontos de vista discordantes sobre o incidente numa discussão acalorada, apenas isso.
O ponto de vista que Rosberg queria ter deixado claro é óbvio. Em duelos anteriores na temporada, como no Bahrein e na Hungria, o alemão sempre tomou cuidado para não haver contato entre os carros quando tentou ultrapassar Hamilton. Mas mudou de atitude em Spa.
- A equipe e Lewis têm o direito a ter as opiniões deles, o que não significa que elas sejam igual a minha - disse ao LANCE! o piloto.
Com a liderança no Mundial ampliada, Rosberg terá agora o papel de reparar o mal-estar dentro do time. Ou de adotar nos bastidores uma mudança de postura, sendo tão agressivo no convívio dentro do time como foi na disputa com Hamilton em Spa. Até o GP da Itália, em 8 de setembro, serão dias intensos dentro da Mercedes. A sete etapas do final, a briga pelo título está pegando fogo






