Formação do meio é dilema de Luxemburgo
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quinta-feira, 08 de outubro de 1998
Agência Estado 
Um dilema tático atormenta o Corinthians, que, após quatro derrotas seguidas, só empatou em 2 a 2 com o Goiás, anteontem à noite, após estar vencendo por 2 a 0. Com a sequência de maus resultados, o técnico Wanderley Luxemburgo perdeu a convicção de qual é a melhor formação para o setor vital da equipe: o meio-de-campo.
Com apenas jogadores técnicos, como Vampeta, Rincón, Ricardinho e Marcelinho, o time ganha em criatividade, mas fica vulnerável. Quando entram atletas de marcação, como Gilmar, Amaral ou Márcio Costa, o time ganha mais consistência defensiva, mas perde a capacidade de armar jogadas.
Contra o Goiás, Luxemburgo começou a partida com Márcio Costa, Vampeta, Marcelinho e Ricardinho e terminou com Márcio Costa, Romeu, Amaral, Vampeta e Marcelinho, que, como exigia o técnico, voltou para marcar o lateral adversário. Mesmo assim, a equipe não conseguiu evitar a reação do Goiás.
Após a saída do Ricardinho, o time perdeu qualidade, concluiu Luxemburgo, que tem como modelo ideal a seleção da Holanda, onde todos atacam e defendem.
Depois do jogo com o Goiás, o técnico, pela primeira vez, foi chamado de burro pelos torcedores. Eles acharam que eu mexi mal no time; mas não foi a Fiel, só os mesmos que já me aplaudiram e me chamaram de o melhor do mundo, afirmou.
Outro problema que vem se repetindo nos jogos: as falhas da defesa, principalmente nas bolas altas. Com o meio desajustado, os laterais e os zagueiros ficam descobertos. Gamarra (1,80 m), Cris (1,80 m) e Batata (1,79 m) são baixos e precisam estar bem posicionados para cortar os cruzamentos.
Para o goleiro Nei, o Corinthians empacou porque os adversários já sabem exatamente como o time joga. Eles têm estudado muito bem o nosso time; ficou mais difícil jogar. Apesar da situação delicada da equipe, Luxemburgo não quer criar um fantasma para os jogadores do Corinthians e nem superestimar as dificuldades. Esses problemas não me assustam: o importante é que o Corinthians reencontrou o espírito de equipe, o espírito de competição.
Desta vez, o treinador não criticou os jogadores e nem os culpou pelo empate. Não tem bronca: a equipe foi aplicada e o adversário teve méritos para empatar e até vencer.


